Um levantamento conduzido por pesquisadores das universidades Harvard e Stanford indica que a participação em práticas religiosas e espirituais desempenha papel decisivo tanto na prevenção quanto na superação do uso de álcool e outras drogas. O trabalho, intitulado “Espiritualidade e Uso de Álcool e Outras Drogas Nocivos ou Perigosos”, foi publicado na revista JAMA Psychiatry.
Meio milhão de casos analisados
Os autores avaliaram informações de mais de 500 mil pessoas, relacionando frequência a cultos, envolvimento em rituais de fé e importância pessoal da religião com indicadores de consumo problemático de substâncias. Entre as conclusões, grupos de apoio que incluem a ideia de um poder superior, como Alcoólicos Anônimos, mostraram alta taxa de sucesso na recuperação de dependentes.
Impacto no cérebro e na prevenção
Resultados de estudos de neurociência reforçam as descobertas: práticas espirituais parecem modular áreas cerebrais ligadas ao controle do estresse e ao sistema de recompensa, facilitando o tratamento. A participação espiritual foi associada a queda de 13 % no risco de desenvolver dependência; quando o indivíduo frequenta serviços religiosos semanalmente, a proteção sobe para 18 %. Além disso, essa vivência tende a postergar o primeiro contato com drogas, reduzindo chances de vício crônico na idade adulta.
Recomendações para a saúde pública
Os pesquisadores sugerem que profissionais de saúde considerem a espiritualidade como componente dos planos terapêuticos, sempre respeitando as convicções do paciente. Perguntas simples, como “A religião ou espiritualidade é importante para você ao pensar sobre sua saúde?” podem abrir espaço para apoio adicional. O estudo também defende parcerias entre serviços públicos de saúde e comunidades religiosas.
Contexto global e brasileiro
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de álcool e drogas provoca mais de 3 milhões de mortes por ano no planeta. No Brasil, quase 9 mil pessoas morreram por overdose em 2023, em meio a elevados investimentos governamentais para tratamento de dependentes nos anos anteriores.
As conclusões reforçam a relevância de abordagens que integrem apoio espiritual ao atendimento clínico de usuários de substâncias.
Com informações de Folha Gospel