Organizações da sociedade civil especializadas no combate à corrupção elevaram o tom de cobrança por mais transparência e integridade no Supremo Tribunal Federal (STF) depois das recentes controvérsias envolvendo o ministro Dias Toffoli e o processo que apura supostas irregularidades no Banco Master.
Linha do tempo reúne suspeitas contra Toffoli
Na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, a Transparência Internacional Brasil divulgou uma cronologia que compila, de 2012 a 2025, delações premiadas, relatórios da Polícia Federal (PF), anulações de provas e decisões judiciais que, segundo a entidade, levantam dúvidas sobre a atuação de Toffoli. A organização destacou que auditores, promotores e juízes envolvidos em investigações anticorrupção respondem a inquéritos, enquanto o ministro “não é alvo de apurações”, de acordo com o texto.
Manifesto “Ninguém acima da Lei”
Na segunda-feira, 23 de fevereiro, Transparência Internacional Brasil, Transparência Brasil e Humanitas360 publicaram o manifesto intitulado “Ninguém acima da Lei”. O documento afirma que “a magistratura não pode jamais ser instrumentalizada para a obtenção de benefícios pessoais, familiares, econômicos ou simbólicos” e pede medidas para encerrar investigações sem prazo ou escopo definido.
Críticas ao inquérito das fake news
O manifesto foi divulgado após a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) solicitar o arquivamento do chamado inquérito das fake news. Aberto em março de 2019 por Dias Toffoli, então presidente do STF, o procedimento foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes para apurar ameaças e supostos vazamentos de dados envolvendo integrantes da Corte e seus familiares.
Boulos ecoa pressões contra o Supremo
As críticas ganharam reforço do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Em declaração recente, o ministro disse que nenhuma instituição “está acima do bem e do mal” e reconheceu a possibilidade de articulações políticas para afastar Toffoli, o que abriria nova vaga a ser preenchida pelo Palácio do Planalto.
Saída de Toffoli da relatoria
A PF pediu a suspeição de Toffoli em 12 de fevereiro, alegando parcialidade no caso Banco Master. Após repercussão negativa e pressão externa, o ministro deixou a relatoria; o processo foi redistribuído a André Mendonça. Todas as decisões já proferidas por Toffoli, contudo, permanecem válidas. O relatório de 200 páginas produzido pela PF foi classificado pelo ministro Flávio Dino como “lixo jurídico”.
O STF foi procurado, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Com informações de Gazeta do Povo