Cidade do México – As forças de segurança mexicanas confirmaram no domingo, 22 de fevereiro de 2026, a morte de Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, durante uma operação no município de Tapalpa, estado de Jalisco. Segundo a Secretaria da Defesa Nacional, o líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) ficou gravemente ferido ao tentar fugir e morreu dentro de um avião militar que o transferia para a capital do país.
A eliminação de El Mencho encerra a busca por um dos narcotraficantes mais procurados do planeta. O Departamento de Estado dos Estados Unidos oferecia recompensa de até US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura, enquanto a Administração de Controle de Drogas norte-americana (DEA) o classificava como alvo prioritário.
Ascensão do CJNG
Fundado em 2009 por El Mencho e outros dois aliados, o CJNG transformou-se rapidamente em uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do México. O grupo atua no tráfico de cocaína, metanfetamina e fentanil com destino aos Estados Unidos e diversifica receitas por meio de extorsão, roubo de combustível e outras atividades ilegais. Em fevereiro de 2025, o então presidente norte-americano Donald Trump classificou oficialmente o cartel como organização terrorista estrangeira.
Trajetória do líder
Nascido em 17 de julho de 1966 em Aguililla, Michoacán, Oseguera Cervantes emigrou ilegalmente para os EUA na década de 1980. Condenado em 1994 por tráfico de heroína na Califórnia, cumpriu pena e foi deportado ao México. Sob seu comando, o CJNG expandiu operações para pelo menos 21 dos 32 estados mexicanos e ganhou notoriedade por ataques de grande impacto, como a derrubada de um helicóptero do Exército em 2015 e o atentado contra o então secretário de Segurança da Cidade do México, Omar García Harfuch, em 2020.
Família na mira da Justiça
A esposa de El Mencho, Rosalinda González Valencia, foi condenada no México por lavagem de dinheiro, mas libertada em fevereiro de 2025. Já o filho, Rubén Oseguera González, o “El Menchito”, cumpre prisão perpétua nos Estados Unidos após ser extraditado em 2020 e condenado em março de 2025 por conspiração internacional de tráfico de drogas.
Ondas de violência após a operação
A ação que resultou na morte de El Mencho contou com apoio de inteligência norte-americana. Confrontos registrados no domingo deixaram 25 integrantes da Guarda Nacional mortos, além de pelo menos 30 membros do cartel, informou o secretário de Segurança e Proteção Cidadã, Omar García Harfuch. Incêndios de veículos e bloqueios de estradas foram relatados em várias regiões do país, levando Reino Unido, Espanha, Alemanha, França, Estados Unidos, Argentina, Bolívia e Equador a emitirem alertas de viagem.
Na segunda-feira, 23 de fevereiro, o ex-presidente Donald Trump usou a rede Truth Social para cobrar do governo mexicano ações mais duras contra cartéis e o tráfico de drogas.
Até o momento, não há definição sobre quem assumirá o comando do CJNG nem sobre o impacto a longo prazo da morte de seu principal líder.
Com informações de Gazeta do Povo