Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Washington em março para se reunir com o mandatário norte-americano, Donald Trump, poucas semanas após a Suprema Corte dos Estados Unidos suspender sobretaxas que penalizavam produtos brasileiros.
A derrubada das cobranças extras ocorreu na sexta-feira (20). Horas depois, a Casa Branca recorreu à Seção 122 da Lei Comercial de 1974 e impôs tarifas emergenciais de 10%, elevadas para 15% no dia seguinte. As medidas valem por, no máximo, 150 dias.
Estratégia de cautela
Em visita oficial à Índia, encerrada neste sábado (22), Lula afirmou estar “aliviado” por ter evitado negociações imediatas após o anúncio do chamado “tarifaço” original. Segundo ele, a decisão de esperar fortaleceu a posição brasileira diante de concorrentes que buscaram acordos às pressas.
O presidente classificou a divulgação das primeiras sobretaxas – feita pela equipe de Trump nas redes sociais – como “anômala” e “impensável”, citando dificuldades iniciais para estabelecer diálogo técnico com Washington.
Mercado reage
A uniformização da alíquota é vista pelo governo como fator de isonomia entre exportadores. Analistas apontam que a decisão judicial reduziu incertezas, o que se refletiu no Ibovespa: o índice bateu recorde na sexta-feira (22), puxado por companhias com forte presença nos EUA, como Embraer e Taurus Armas.
Pauta em Washington
Além das tarifas, Lula pretende levar a Washington uma agenda que inclui:
- Cooperação no combate ao crime organizado e ao narcotráfico, com participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e pedido de extradição de brasileiros foragidos nos EUA;
- Negociações sobre minerais críticos, especialmente terras raras, para atrair investimentos americanos no processamento desses insumos em território nacional;
- Ampliação de parcerias em saúde, defesa e tecnologia, metas reforçadas durante a visita à Índia, onde Brasil e Índia estipularam alcançar US$ 30 bilhões em comércio bilateral até 2030.
Lula argumenta que taxar produtos brasileiros pode pressionar a inflação norte-americana. “Eles têm interesse, nós temos interesse”, declarou, defendendo que a cooperação beneficie ambos os lados.
Com informações de Gazeta do Povo