A oficialização das candidaturas à Presidência só ocorrerá em agosto, após as convenções partidárias. Mesmo assim, até 10 de fevereiro seis políticos já declararam pré-candidatura para a eleição de 2026, a primeira após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O pleito deve ocorrer em meio a tensão entre os poderes e desconfiança ampliada sobre a neutralidade do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente depois da crise do Banco Master que envolveu os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Três integrantes do STF também compõem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tema que tende a aparecer com destaque nos debates.
Além da discussão institucional, economia e segurança pública concentram a atenção da maioria dos eleitores, segundo o cientista político Paulo Kramer. Inflação, emprego e criminalidade devem dominar as agendas.
Quem já anunciou pré-candidatura
Lula (PT) – Eleito em 2022 após prometer um único mandato, o presidente de 80 anos mudou o discurso e defende a reeleição. Entre os obstáculos, enfrenta baixa aprovação e o estrangulamento fiscal, com projeção de dívida pública bruta acima de 83% do PIB ainda em 2026.
Flávio Bolsonaro (PL) – Senador pelo Rio de Janeiro, foi indicado em dezembro de 2025 pelo pai, Jair Bolsonaro. Quer reunir a direita em torno do sobrenome e busca apoio do Centrão.
Romeu Zema (Novo) – Governador de Minas Gerais, lançou-se em agosto de 2025. Pretende nacionalizar sua imagem apoiado no discurso de gestão liberal e Estado enxuto. Rejeitou convite para ser vice de Flávio Bolsonaro.
Ronaldo Caiado (PSD) – Governador de Goiás anunciou a pré-candidatura em abril de 2025, ainda no União Brasil, e migrou para o PSD neste ano. Usa resultados do agronegócio e da segurança pública goiana como vitrine e se apresenta como “direita moderada”.
Renan Santos (Missão) – Cofundador do MBL, é o nome do recém-criado partido Missão. Propõe descentralização econômica, profissionalização da gestão pública e rigor no combate ao narcotráfico.
Aldo Rebelo (DC) – Ex-ministro de governos petistas, rompeu com a esquerda e lançou pré-candidatura em dezembro de 2025. Negocia ter o ex-ministro Fabio Wajngarten como vice e afirma querer “derrotar o PT no segundo turno”.
Possíveis novos concorrentes
O PSD ainda avalia lançar os governadores Ratinho Junior (Paraná) ou Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Caso um deles seja escolhido, Ronaldo Caiado deixaria de ser cabeça de chapa. Já Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, tende a buscar a reeleição estadual, segundo dirigentes de seu partido.
Até o registro das candidaturas, as siglas testam a popularidade dos nomes e tentam ampliar a visibilidade fora de suas bases regionais.
Com informações de Gazeta do Povo