Macapá – A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a Operação Zona Cinzenta para apurar possíveis fraudes em três aplicações que somam quase R$ 400 milhões feitas pela Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master.
O principal alvo é o presidente da Amprev, Jocildo Lemos, indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Lemos também atuou como tesoureiro em duas campanhas eleitorais do senador. Embora familiares de Alcolumbre integrem o conselho fiscal do fundo – o irmão Alberto entre eles – o parlamentar não é investigado. Sua assessoria nega qualquer participação nas decisões de investimento.
Aplicações sob suspeita
Segundo a PF, os aportes de quase 5% do patrimônio do fundo foram aprovados em menos de 20 dias, contrariando alertas do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União. Dois integrantes do comitê de investimentos votaram contra as operações e formalizaram ressalvas sobre a concentração de recursos em um único ativo. Cada aporte superou em mais de dez vezes o limite normalmente praticado pela Amprev.
Repercussão política
A investigação aumenta a pressão sobre Alcolumbre, responsável por deliberar sobre um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso para apurar as operações do Banco Master em âmbito nacional. A oposição afirma já ter assinaturas suficientes e acusa o senador de retardar a instalação da comissão.
Mandados e próximos passos
Agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da Amprev e na residência de Lemos, que teve o celular recolhido para perícia. Na Assembleia Legislativa do Amapá, um deputado estadual protocolou pedido de afastamento do presidente do fundo e a criação de uma CPI local. Em nota, a Amprev declarou ser vítima do Banco Master e informou que busca o ressarcimento dos valores aplicados.
Com informações de Gazeta do Povo