A Polícia Federal abriu nesta quarta-feira (28) um novo inquérito para apurar supostos ataques de influenciadores digitais ao Banco Central após a liquidação do Banco Master. O procedimento voltou a ser distribuído ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e permanecerá em sigilo.
De acordo com fontes ouvidas pela reportagem, a investigação adotará o mesmo rito sigiloso dos dois processos já em tramitação no STF envolvendo o Banco Master: a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB) e a apuração de supostos crimes financeiros, como a venda de carteiras de crédito sem lastro no valor de R$ 12,2 bilhões ao banco público do Distrito Federal.
O sigilo foi imposto por Toffoli no fim de 2025, quando o ministro assumiu os casos em seu gabinete. Desde então, qualquer divulgação sobre as investigações está proibida, e até o trabalho da própria PF é realizado sob restrições — os depoimentos desta semana, por exemplo, ocorreram no prédio do STF, e não na sede da corporação.
Suspeita de campanha coordenada
O novo inquérito apura se representantes do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, contrataram influenciadores para desacreditar o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) após a intervenção na instituição. Segundo os investigadores, pelo menos 46 perfis teriam sido acionados para divulgar a tese de que a liquidação foi precipitada, tentando pressionar órgãos de controle.
Uma agência de publicidade que presta serviços ao Master é apontada como responsável pelos contatos. O plano previa vídeos reforçando decisões judiciais favoráveis ao banco e questionando a atuação da autoridade monetária.
“Projeto DV”
O caso ganhou repercussão depois que os influenciadores de direita Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite relataram ter recebido ofertas para defender o Master em redes sociais. O esquema ficou conhecido como Projeto DV, em referência às iniciais de Daniel Vorcaro.
Parte da apuração baseia-se no depoimento de Rony Gabriel e em documentos já recolhidos. Reportagem do jornal O Globo mostrou que contratos com influenciadores chegavam a R$ 2 milhões e previam cláusulas de confidencialidade, incluindo multa de R$ 800 mil por quebra de sigilo — um dos documentos trazia as iniciais do dono do banco.
As denúncias apontam que os conteúdos buscavam convencer a opinião pública de que a liquidação seria fruto de articulação política da esquerda e do Centrão. O objetivo final seria reverter a medida no Tribunal de Contas da União (TCU), possibilidade já descartada pelo próprio tribunal.
Com informações de Gazeta do Povo