Home / Política / Nova fase da Operação Compliance Zero mira círculo de Daniel Vorcaro e reacende debate sobre foro privilegiado

Nova fase da Operação Compliance Zero mira círculo de Daniel Vorcaro e reacende debate sobre foro privilegiado

ocrente 1768872914
Spread the love

A segunda etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026, concentrou-se no banqueiro Daniel Vorcaro e em pessoas de seu núcleo empresarial e familiar, deixando de fora agentes públicos citados no inquérito que apura fraudes no Banco Master.

Autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ofensiva envolveu 42 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de cerca de R$ 5,7 bilhões em bens. Investigadores e juristas ouvidos avaliam que a escolha dos alvos sinaliza seletividade e pode funcionar como pressão para que Vorcaro aceite um acordo de delação premiada — hipótese que ele já descartou em depoimento à Polícia Federal (PF) em 30 de dezembro.

Questionamentos sobre autoridades

O inquérito chegou ao STF após aparecer o nome de um deputado federal da Bahia, beneficiado por foro privilegiado. Para analistas, a menção teria servido de “porta de entrada” para deslocar o caso à Corte, onde tramitam processos envolvendo autoridades com prerrogativa de função.

Entre os pontos de atenção citados estão viagens do ministro Dias Toffoli em aeronave ligada a advogados do banco e um contrato milionário da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Master. Apesar disso, nenhum magistrado, parlamentar ou integrante do Executivo foi alvo da nova fase.

Impacto sobre o investigado

Para o criminalista Márcio Nunes, o cerco ao entorno de Vorcaro “aumenta a temperatura” e tende a estimular colaborações. O constitucionalista Alessandro Chiarottino concorda que a exposição do grupo próximo eleva a pressão, embora ainda sem sinal concreto de acordo.

Já o doutor em Direito Luiz Augusto Módolo vê pouca chance de delação no curto prazo. Segundo ele, a defesa “das mais caras e estruturadas do país” indica disposição para um embate prolongado.

Debate sobre provas e competência

A decisão inicial de Toffoli de lacrar e enviar todo o material apreendido diretamente ao STF — depois redirecionado à Procuradoria-Geral da República — foi criticada por delegados que temem prejuízos à perícia. Especialistas lembram que, ainda que o Supremo supervise a legalidade dos atos, a PF precisa ter acesso para analisar os dados.

Para o constitucionalista André Marsiglia, a ausência de medidas contra autoridades demonstra que as citações nos autos “não tinham densidade jurídica” suficiente para justificar a tramitação integral no STF. Ele e outros juristas apontam risco de que “suspeitos habituais” acabem punidos enquanto eventuais conexões políticas sigam intocadas.

Até o momento, o Banco Master permanece em liquidação determinada pelo Banco Central, e Vorcaro cumpre prisão domiciliar desde novembro de 2025. O desenrolar das investigações deverá indicar se a estratégia concentrada no núcleo do banqueiro abrirá caminho para novas fases ou para uma possível colaboração premiada.

Com informações de Gazeta do Povo