O governo de Israel afirmou neste sábado, 17 de janeiro, que não foi consultado sobre a formação do conselho executivo para a Faixa de Gaza divulgado um dia antes pela administração do presidente norte-americano Donald Trump. Em nota, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a iniciativa “contraria a política israelense”.
Segundo o comunicado, o ministro das Relações Exteriores Gideon Sa’ar tratará diretamente do tema com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Até o momento, Jerusalém não detalhou quais pontos da composição conflitam com os interesses israelenses.
Mandatos e financiamento
A Casa Branca enviou uma minuta de carta a cerca de 60 países convidando-os a integrar o órgão. O texto estabelece mandato de até três anos para cada integrante, renovável pelo presidente dos EUA. A exceção vale para nações que aportarem mais de US$ 1 bilhão em recursos ainda no primeiro ano, o que lhes garantiria participação sem prazo definido.
Reportagem da agência Bloomberg mencionou que o valor bilionário seria exigência para ingresso no colegiado. A Casa Branca negou, esclarecendo que a quantia assegura assento permanente, mas que a filiação por três anos não implica pagamento.
Atribuições do conselho
Apresentado oficialmente na sexta-feira, 16 de janeiro, o conselho é apontado por Trump como peça central da “segunda fase” do plano apoiado por Washington para pôr fim à guerra em Gaza. O órgão terá autoridade sobre o Comitê Nacional para o Governo de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), que será liderado por Ali Shaath, ex-ministro dos Transportes da Autoridade Palestina.
Entre as tarefas previstas estão fortalecimento da governança local, relações regionais, reconstrução de infraestrutura, atração de investimentos e mobilização de capital em larga escala.
No mesmo dia, Trump nomeou o major-general americano Jasper Jeffers para chefiar a Força Internacional de Estabilização (ISF), responsável por manter a segurança no território palestino e treinar uma nova polícia que substituirá o grupo Hamas.
Convidados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu convite para integrar o conselho, mas ainda não respondeu. Em setembro do ano passado, Lula classificou as ações militares de Israel e dos Estados Unidos em Gaza como “genocídio”.
A lista de convidados inclui, entre outros, o empresário americano Marc Rowan; Robert Gabriel, assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional; o enviado especial Steve Witkoff; Jared Kushner, genro do presidente norte-americano; a coordenadora especial da ONU para o Oriente Médio, Sigrid Kaag; o presidente da Argentina, Javier Milei; o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o ministro turco das Relações Exteriores, Hakan Fidan. Também foram mencionados o presidente egípcio Abdel Fatah Al-Sisi, o primeiro-ministro canadense Mark Carney, um bilionário cipriota-israelense e um ministro dos Emirados Árabes Unidos.
Israel já manifestou em diversas ocasiões oposição à participação turca em qualquer estrutura de governança em Gaza.
Com informações de Gazeta do Povo