Brasília – O Banco Central (BC) calcula que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescerá 1,6% em 2026, desempenho mais fraco dos últimos seis anos. A estimativa aparece no Relatório de Política Monetária do quarto trimestre, divulgado nesta quinta-feira (18).
Se confirmada, a taxa ficará acima apenas do resultado de 2020, quando a economia recuou 3,28% por causa da pandemia. A projeção do BC contrasta com a expectativa da equipe econômica do Ministério da Fazenda, que trabalha com alta de 2,44% para balizar o Orçamento de 2026.
Juros de 15% e cenário externo pressionam
De acordo com o documento, o ritmo menor é atribuído à manutenção da política monetária em patamar considerado restritivo – a taxa Selic está em 15% –, à pouca ociosidade dos fatores de produção, à desaceleração da economia global e à ausência do impulso agropecuário observado em 2025.
Para 2025, a autoridade monetária elevou a projeção de crescimento de 2% para 2,3%. A previsão incorpora medidas recentes de estímulo ao consumo, como a isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, que entra em vigor em janeiro.
Série recente do PIB
– 2020: -3,28%
– 2021: 4,76%
– 2022: 3,02%
– 2023: 3,24%
– 2024: 3,42%
– 2025: 2,3% (estimativa)
– 2026: 1,6% (estimativa)
Inflação dentro da meta, mas com pressões
No mesmo relatório, o BC reduziu a projeção do IPCA de 2025 de 4,8% para 4,4%, dentro da meta de 3% com intervalo de 1,5 ponto percentual. Para 2026, a expectativa é de 3,5%. A instituição alerta, porém, para possíveis altas nos preços de alimentos in natura até março e para reajustes mais intensos em serviços no início do ano letivo.
Já as tarifas de energia elétrica tendem a cair com a mudança da bandeira tarifária. Em sentido oposto, tributos sobre combustíveis e reajustes de serviços públicos devem continuar pressionando a inflação.
O BC reafirma que o hiato do produto segue positivo, indicando economia operando acima do potencial. Como a política monetária demora de seis a 18 meses para impactar plenamente a atividade, a autoridade já projeta a inflação até o segundo trimestre de 2027.
Com informações de Gazeta do Povo