Washington (EUA) – O ex-chefe da inteligência militar da Venezuela, general reformado Hugo “El Pollo” Carvajal, enviou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual afirma possuir provas que ligam o governante venezuelano Nicolás Maduro ao Cartel de los Soles. O documento, confirmado por seu advogado à agência EFE nesta quinta-feira (4), oferece cooperação total às autoridades norte-americanas.
Detido em uma prisão federal nos EUA enquanto aguarda sentença depois de se declarar culpado por tráfico de drogas e porte ilegal de armas, Carvajal afirma querer “redimir-se” ao detalhar como, segundo ele, o governo venezuelano transformou-se em uma organização criminosa.
“Fui testemunha direta de como o governo de Hugo Chávez se converteu em uma organização criminosa que agora é comandada por Nicolás Maduro, Diosdado Cabello e outros altos funcionários”, escreveu o ex-general. Ele sustenta que o Cartel de los Soles utiliza o narcotráfico como “arma” contra os Estados Unidos.
Na correspondência, inicialmente divulgada pelo jornal The Dallas Express, Carvajal sustenta que as remessas de entorpecentes que chegam hoje às cidades norte-americanas não partem de “traficantes independentes”, mas de uma “política deliberada” de Caracas. Segundo ele, o plano foi sugerido pelo regime cubano a Hugo Chávez em meados dos anos 2000 e contou com apoio das guerrilhas colombianas FARC e ELN, de agentes cubanos e do Hezbollah.
Carvajal relata ainda que Chávez ordenou o recrutamento de líderes do narcotráfico e o armamento de quadrilhas como a Tren de Aragua, expulsando “milhares de membros” do país com apoio da Guarda Nacional, da Polícia Nacional e de ministérios. Após a morte de Chávez, acrescenta, Maduro teria ampliado a estratégia, exportando violência para atingir opositores no exterior e diminuir artificialmente os índices de criminalidade internos.
O ex-general reforça que as acusações do governo Trump — que no mês passado classificou Maduro como líder de organização terrorista — são “justificadas”. Ele também alega que a política de fronteiras abertas do ex-presidente Joe Biden favoreceu o envio de agentes venezuelanos aos EUA e alerta que o regime em Caracas possui “planos de contingência” para permanecer no poder em qualquer cenário.
A carta surge em meio ao aumento da tensão entre Washington e Caracas, marcado pelo deslocamento militar dos Estados Unidos no Caribe e pela pressão direta sobre Maduro.
Com informações de Gazeta do Povo