Bruxelas, 24 nov. 2025 – Reino Unido, Alemanha e França entregaram aos Estados Unidos uma contraproposta para encerrar a guerra entre Ucrânia e Rússia, suprimindo pontos considerados favoráveis a Moscou no plano americano de 28 itens apresentado pelo presidente Donald Trump.
O texto europeu foi discutido no domingo (23) em Genebra e reduz o documento a 19 tópicos, segundo fonte obtida pela agência Reuters. Entre as alterações, todos os trechos que tratavam da União Europeia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foram retirados, informou o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul.
Entrada na Otan depende de consenso
De acordo com a nova redação, “a adesão da Ucrânia à Otan depende do consenso de seus membros”. O bloco militar também não posicionará tropas permanentemente em território ucraniano em tempos de paz; porém, caças aliados permanecerão baseados na vizinha Polônia.
Fronteira de Donbass congelada
A UE eliminou a exigência de que Kiev retire suas forças das áreas de Donbass que ainda controla. Em vez disso, propõe adotar a atual linha de contato como fronteira provisória, com o compromisso ucraniano de não retomar territórios pela via militar.
Forças Armadas maiores e ativos russos
O projeto europeu autoriza um Exército ucraniano de até 800 mil soldados, número superior aos 600 mil sugeridos por Washington. Também rejeita destinar US$ 100 bilhões em ativos russos congelados a um fundo de reconstrução liderado pelos EUA, que ficaria com metade dos lucros gerados pelo investimento.
Sanções graduais
Os europeus descartam o retorno imediato da Rússia ao sistema de comércio internacional e defendem a remoção gradual das sanções impostas desde 2022.
Reações
Após a rodada de domingo, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, avaliou que “nenhum ponto pendente é intransponível” e que a decisão final caberá a Kiev e Moscou.
Já nesta segunda-feira (24), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky apontou como principal obstáculo a exigência do líder russo Vladimir Putin de reconhecimento internacional dos territórios ocupados. “Putin quer reconhecimento legal do que roubou”, declarou em videoconferência.
O Kremlin rejeitou a nova proposta. O assessor de política externa Yuri Ushakov classificou o texto europeu como “absolutamente contraproducente” e fora dos interesses russos.
Não há previsão de nova reunião entre as partes.
Com informações de Gazeta do Povo