Um levantamento divulgado recentemente na Coreia do Sul revela que 20% dos protestantes praticantes recorreram a serviços de adivinhação nos últimos três anos, panorama que tem alarmado pastores e acadêmicos cristãos do país. O estudo indica ainda que um a cada quatro frequentadores de igrejas não demonstra forte objeção ao uso de amuletos.
Práticas xamânicas ganham espaço no entretenimento
Tradições como leitura de sorte, saju (técnica coreana baseada na data de nascimento), horóscopos e amuletos fazem parte da cultura local há séculos. Entretanto, segundo o portal Christian Daily Korea, essas práticas vêm migrando para plataformas populares – YouTube, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial – onde são tratadas sobretudo como diversão, sobretudo entre jovens.
Especialistas apontam múltiplos fatores
Para o professor emérito Kim Young-han, da Soongsil University, a difusão de conteúdos xamânicos reflete um contexto “pós-cristão”, alimentado pelo pluralismo religioso e pela influência do pós-modernismo. “A igreja só preserva sua razão de existir quando se firma na fé bíblica”, afirmou.
O pastor Lee Chun-sung, secretário-geral do Korea Christian Ethics Institute, observa mudança de atitude: “Antes, consultar videntes era motivo de vergonha; hoje, muitos encaram saju e horóscopos como passatempo”. Ele teme que a curiosidade inicial evolua para dependência, sobretudo em plataformas online que prometem aliviar incertezas sobre o futuro.
Já o sociólogo da religião Jung Jae-young, da Seoul Theological University of Practical Studies, relaciona o fenômeno a brechas na vida comunitária das igrejas. Segundo ele, alguns fiéis buscam cafés de saju porque encontram ali um ambiente seguro para expor medos e dúvidas, algo que nem sempre sentem dentro da congregação.
Alerta para idolatria
Dr. Seo Chang-won, presidente do Korea Institute for Reformed Preaching, fez um alerta teológico direto: “Quem se declara crente e procura videntes incorre em idolatria proibida por Deus. O futuro pertence somente a Ele”.
Desafio para as igrejas
Os especialistas convergem na avaliação de que a procura por adivinhação não é modismo passageiro. Entre as causas citadas estão o enfraquecimento do ensino bíblico, a busca por prosperidade material, o apelo rápido de respostas prontas e a perda de confiança em ambientes eclesiais. Para eles, as igrejas sul-coreanas precisam reforçar a doutrina e oferecer espaços seguros onde os membros possam compartilhar aflições sem receio de exposição.
Com informações de Folha Gospel