Havana — O governo cubano descartou qualquer participação militar ao lado da Venezuela em caso de conflito contra os Estados Unidos. A posição foi anunciada pelo vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío, em entrevista ao portal Zeteo News, divulgada na semana passada.
“Não entraremos em guerra com os Estados Unidos”, afirmou o diplomata, enfatizando que a colaboração com Caracas ficará restrita ao campo político e diplomático. Segundo Fernández de Cossío, Havana continuará a oferecer “solidariedade política total” ao presidente venezuelano Nicolás Maduro, mas sem mobilizar suas Forças Armadas.
Preocupação com tensão regional
Durante a conversa com o jornalista Mehdi Hasan, o vice-chanceler demonstrou apreensão com o aumento de tensões no entorno da Venezuela. Ele classificou como “ameaçadora” a postura de Washington e alertou para as possíveis consequências de uma operação militar no país vizinho. “É muito irresponsável imaginar uma invasão sem grandes perdas de vidas. Isso representa perigo para a Venezuela e para toda a região”, declarou.
Indagado sobre cenários hipotéticos, como ataques a embarcações cubanas, Fernández de Cossío evitou detalhar eventuais respostas, dizendo tratar-se de “circunstância diferente”. O diplomata também criticou o argumento norte-americano de combate ao narcotráfico para justificar presença militar no Caribe. “Todos sabem que o narcotráfico não vem da Venezuela”, disse, defendendo o governo chavista e elogiando a “paciência” de Maduro diante da pressão externa.
A entrevista acontece em meio a sucessivas declarações de autoridades venezuelanas sobre preparação contra uma possível ação dos EUA, incluindo treinamento de civis e decretos que ampliam poderes do Executivo em caso de ataque.
A posição oficial de Cuba, reforçada por Fernández de Cossío, indica que a ilha pretende limitar-se ao apoio diplomático, afastando a hipótese de intervenção armada em favor de seu principal aliado na América do Sul.
Com informações de Gazeta do Povo