O Wall Street Journal publicou um editorial crítico à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando que a vitória do petista sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições, realizado no último domingo, 25, representa um retrocesso para o Brasil. Com 51,8% dos votos, Lula surpreendeu o mercado, que já havia se preparado para uma continuidade da direita na América Latina.
Após a divulgação do resultado, o principal índice da bolsa brasileira sofreu uma queda de 10% logo na abertura das negociações, levando à suspensão temporária das operações. Ao final do pregão, as perdas acumuladas chegaram a quase 14%. As ações da Petrobras caíram 14% e as do Itaú Unibanco recuaram 20%. Além disso, o real desvalorizou-se em 8,7% em relação ao dólar.
O editorial do WSJ relaciona a turbulência nos mercados com a situação fiscal do país e as incertezas em torno da continuidade da política econômica de Lula, que assumirá seu quarto mandato em janeiro de 2027. O jornal critica a performance econômica do Brasil, que apresenta um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,6 trilhões e um crescimento projetado de menos de 2% para 2026, insuficiente para combater a pobreza.
A situação fiscal também é alarmante. O WSJ aponta que o déficit fiscal deve chegar a 10% do PIB em 2026, enquanto a dívida pública supera 82% do PIB. Com juros altos, atualmente em 13,75%, o governo enfrenta dificuldades adicionais para financiar sua dívida, o que pode agravar ainda mais os déficits.
Além das preocupações econômicas, o editorial critica a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), citando a prorrogação da votação em favor da campanha de Lula como um exemplo de favorecimento. O jornal considera que a composição da Corte e a arbitrariedade em suas decisões geram insegurança institucional, afetando a confiança dos investidores.
Embora Lula tenha vencido a presidência, a oposição obteve resultados significativos em disputas estaduais e legislativas. O Partido Liberal deve controlar a maioria nas duas Casas do Congresso Nacional, o que pode influenciar a condução das políticas do governo. O WSJ também alertou sobre a possibilidade de Lula indicar novos ministros ao STF, aumentando seu controle sobre a Corte.
Com os mercados sinalizando desconfiança quanto à sua reeleição, o editorial conclui que Lula enfrentará desafios significativos em sua nova administração, com a responsabilidade de conduzir o país em meio a uma crise fiscal e a pressão por ajustes econômicos.
Fonte: Revista Oeste.









