O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, ordenou que a Meta e os gestores do canal “Tropa do Flávio” removam um áudio do deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO). No trecho, Gayer faz alegações infundadas de que mesários estariam votando por eleitores ausentes, especialmente no Nordeste, com o intuito de favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar da determinação de retirar o áudio, o ministro rejeitou o pedido de suspensão total do canal “Tropa do Flávio”. Ele impôs uma multa de R$ 100 mil por hora em caso de não cumprimento da ordem e mais R$ 100 mil caso novas publicações que reproduzam a mesma acusação sejam feitas.
Na decisão, Cueva destacou que a disseminação dessa narrativa, próximo ao segundo turno das eleições, representa um risco significativo de desinformação sobre a legitimidade do processo eleitoral. O áudio, que tem 1 minuto e 39 segundos, foi divulgado na manhã de sexta-feira (23), a menos de 48 horas da votação. Gayer convocava seus apoiadores a atuarem como “fiscais” nas seções eleitorais para evitar que mesários registrassem votos em nome de quem não comparecesse.
O corregedor ressaltou que a alegação de fraude já havia sido refutada pela Justiça Eleitoral, que estabeleceu processos rigorosos de verificação biométrica e auditorias que impedem tais práticas. Ele afirmou que a gravidade do material não está na convocação para fiscalização legítima, mas na acusação generalizada a mesários, sem apresentar evidências concretas.
Cueva também determinou que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, seja notificado urgentemente para garantir a segurança dos mesários durante a eleição. A decisão liminar ainda será submetida ao plenário da Corte para referendo.
Além disso, o corregedor vetou a circulação de materiais que já foram considerados ilícitos pelo TSE, incluindo peças que liguem Lula a organizações criminosas e montagens que distorçam declarações em relação a questões religiosas.
Ao não suspender completamente o canal, Cueva destacou que essa medida extrema é excepcional e que uma suspensão geral poderia afetar tanto conteúdos questionáveis quanto críticas legítimas e debates políticos. Contudo, ele alertou que a repetição de condutas ou o desrespeito às ordens poderá resultar em uma nova avaliação da situação.
Fonte: Gazeta Do Povo.









