Home / Política / Supremo pode devolver Daniel Vorcaro ao sistema prisional comum após veto a nova delação

Supremo pode devolver Daniel Vorcaro ao sistema prisional comum após veto a nova delação

ocrente 1781615156
Spread the love

O empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master e alvo de suspeitas de fraudes bilionárias, corre o risco de deixar a sala especial da Polícia Federal (PF) em Brasília e voltar ao regime penitenciário comum. O possível revés ocorre depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a própria PF recusarem, pela segunda vez, uma proposta de delação premiada apresentada pela defesa.

Vorcaro está detido desde março em uma sala de Estado-maior na Superintendência da PF, ambiente que garante condições diferenciadas de custódia e acesso facilitado a advogados. A manutenção desse benefício deverá ser avaliada ainda nesta semana pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos processos ligados ao Banco Master.

Rejeição da delação

A PGR oficializou o parecer contrário na segunda-feira, 15 de junho, poucos dias após a PF também se manifestar contra o acordo. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, os relatos de Vorcaro não trouxeram fatos inéditos nem provas suficientes que pudessem impulsionar novas frentes de investigação.

Apurações indicam que o empresário descreveu episódios já conhecidos pelas autoridades, incluindo supostas relações com políticos e agentes públicos. Investigadores ressaltam que, para valer, uma colaboração precisa vir acompanhada de elementos concretos que confirmem as alegações.

Destino pode ser a Papuda

Se o STF decidir retirar o benefício, Vorcaro deverá retornar à Penitenciária Federal de Brasília ou ser transferido para a chamada Papudinha — unidade especial no Complexo Penitenciário da Papuda —, a depender da avaliação de segurança. Outra possibilidade seria o envio a um terceiro estabelecimento prisional.

Operação Compliance Zero

Enquanto isso, a PF continua analisando documentos físicos e digitais recolhidos nas oito fases da Operação Compliance Zero, que investiga as supostas fraudes do Banco Master. Bastidores apontam que persistem dificuldades para comprovar parte dos fatos narrados por Vorcaro, que segue negando qualquer irregularidade.

Versão da defesa

Interlocutores ligados ao empresário afirmam que a segunda proposta de delação era mais extensa que a anterior e incluía detalhes sobre operações financeiras e vínculos políticos. Eles sustentam haver resistência de setores da PF e da PGR, além de interesses que estariam dificultando o acordo. A defesa, contudo, não se pronunciou oficialmente sobre o andamento das negociações.

Vorcaro teria citado repasses a autoridades e agentes partidários, mas nega que tais transações visassem vantagens indevidas. Cabe agora ao STF decidir se ele permanece sob custódia especial ou retorna ao sistema prisional regular.

Com informações de Gazeta do Povo