Brasília — O relatório de mais de cinco mil páginas rejeitado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, lido na sexta-feira, 27 de março, detalha possíveis irregularidades do Banco Master e do banqueiro Daniel Vorcaro, apontando brechas que podem levar à instalação de uma nova CPI exclusiva sobre o caso.
251 mil contratos sob suspeita e bloqueio de R$ 2 bilhões
Segundo o documento, não há comprovação de legalidade em 251.718 contratos assinados entre 2021 e 2025 que permitiam descontos diretos na folha de aposentados e pensionistas. Diante das suspeitas, o INSS bloqueou aproximadamente R$ 2 bilhões ligados à instituição.
Falhas de controle apontadas pela CGU
Relatórios técnicos da Controladoria-Geral da União (CGU) citados pela CPMI indicam ausência de documentação em 84,3% das operações analisadas e falhas em validações biométricas, sobretudo em contratos recentes (2024 e 2025). Também há indícios de manipulação da margem consignável e terceirização de processos a correspondentes bancários com baixa supervisão.
Operação Sem Desconto e foco nos consignados
A Polícia Federal e a CGU deflagraram, em abril de 2025, a Operação Sem Desconto para combater descontos associativos ilegais. O relatório liga a investigação ao Master, destacando o cartão consignado Credcesta, que teria gerado dívidas “impagáveis” devido a juros elevados. Há ainda suspeita de cessão irregular de carteiras de crédito a empresas de fachada.
Vorcaro continua preso
O relator, senador Carlos Viana (Podemos-MG), propôs o indiciamento de Daniel Vorcaro por organização criminosa, lavagem de dinheiro, gestão temerária, falsidade ideológica, estelionato eletrônico e previdenciário, entre outros crimes. Como o parecer foi rejeitado, o indiciamento não prosperou. Ainda assim, Vorcaro permanece detido desde março de 2026 na superintendência da Polícia Federal em Brasília, por ordem do ministro André Mendonça, do STF. A defesa afirma que o banqueiro colabora com as autoridades, contesta a prisão preventiva e negocia delação premiada.
Possíveis ligações com integrantes do STF
O texto recomenda que Polícia Federal e Ministério Público Federal examinem contratos de honorários advocatícios firmados com escritórios ligados a familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal. Entre os nomes citados estão a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e a relação entre o ministro Dias Toffoli e Vorcaro. Todos os mencionados negam irregularidades.
Novo pedido de CPI travado
Parlamentares de oposição já recolheram assinaturas para abrir uma CPI dedicada ao Banco Master, mas a iniciativa segue parada nas mesas diretoras da Câmara e do Senado. Especialistas apontam que as lacunas deixadas pela CPMI do INSS, encerrada sem prorrogação, mantêm a pressão por nova investigação.
O relatório rejeitado cita o Banco Master mais de 200 vezes e dedica cerca de 300 páginas às suspeitas envolvendo a instituição e seu controlador. Entre as perguntas ainda sem resposta, destaca-se se aposentados continuam pagando parcelas de empréstimos não contratados.
Com informações de Gazeta do Povo