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Prisão de operadores do PCC ocorre após bloqueio dos EUA a redes de lavagem de dinheiro

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São Paulo — A Justiça brasileira determinou, na sexta-feira, 3 de julho de 2026, a prisão de Victor Henrique de Oliveira Shimada e de outros dez acusados de comandar um esquema milionário de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi anunciada poucos dias depois de o governo dos Estados Unidos aplicar sanções que congelam bens e proíbem transações de pessoas ou empresas norte-americanas com o grupo investigado.

Quem é Victor Shimada

Apontado por autoridades brasileiras e americanas como operador financeiro do PCC, Shimada utilizava companhias próprias para movimentar grandes valores, inclusive por meio de criptomoedas. Entre as empresas destacadas estão a Victory Trading e a Pixwave, identificadas como fachada para dar aparência legal a recursos de origem criminosa. Ele é considerado foragido.

Como o esquema funcionava

Investigações indicam que a rede articulava o trânsito de dinheiro obtido com o tráfico de drogas, fraudes bilionárias contra o INSS e outras atividades ilícitas. Parte das operações ocorria entre São Paulo e a Flórida, servindo de elo entre traficantes internacionais e integrantes das facções brasileiras nos Estados Unidos.

Por que a reação brasileira foi tardia

Shimada já figurava em relatórios de comissões parlamentares desde 2024 e fora citado em delações premiadas, mas seguia em liberdade. Especialistas atribuem a demora a déficit de pessoal na Polícia Federal, exigências processuais rígidas para produção de provas no país e a uma cultura de tolerância a crimes de colarinho branco.

Efeito das sanções norte-americanas

Ao classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, Washington possibilitou o bloqueio imediato de bens sob jurisdição dos EUA e proibiu cidadãos e empresas americanas de negociar com os alvos. O impacto acelerou o cerco financeiro e pressionou as autoridades brasileiras a reagir com os mandados expedidos nesta semana.

Pistas sobre eventuais vínculos políticos

Documentos da CPMI do INSS apontam que a rede Arpar, também investigada, teria movimentado quase R$ 40 bilhões. O relator, deputado Alfredo Gaspar, criticou a base governista por encerrar os trabalhos sem aprofundar as apurações. Até o momento, não há acusações formais contra familiares do presidente, mas as relações indiretas seguem sob análise.

Os suspeitos agora são alvo de cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas, enquanto a Polícia Federal tenta localizar Victor Shimada para cumprir o mandado de prisão.

Com informações de Gazeta do Povo