Brasília – A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rastreiam a origem de possíveis vazamentos de informações que podem ter comprometido as três fases da Operação Compliance Zero, deflagrada para apurar um esquema bilionário de fraudes financeiras no Banco Master e envolvendo o controlador da instituição, Daniel Vorcaro.
Primeiro sinal de alerta em novembro de 2025
As primeiras desconfianças surgiram em 17 de novembro de 2025, data da etapa inicial da operação. Naquele dia, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos quando se preparava para embarcar em um jato particular rumo aos Emirados Árabes. Investigadores avaliam que a tentativa de deixar o país pode indicar que o empresário fora avisado da ação policial, hipótese negada pela defesa, que alega viagem a trabalho.
Indícios mais fortes durante a segunda fase
A segunda fase, em 14 de janeiro de 2026, reforçou a tese de vazamento. A PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, com bloqueio de bens superiores a R$ 5,7 bilhões, mas encontrou imóveis esvaziados, ausência de dispositivos eletrônicos e a presença antecipada de advogados nos locais alvo. Na véspera, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, foi abordado em Guarulhos prestes a sair do país, e o investidor Nelson Tanure estava em outro aeroporto, pronto para voo doméstico. Ambos negam tentativa de fuga.
Troca de relatoria e terceira etapa
Em fevereiro de 2026, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso após a revelação de vínculo societário com empreendimento ligado a fundos próximos ao entorno de Vorcaro. A investigação passou ao ministro André Mendonça, que em 4 de março de 2026 autorizou a terceira fase, mesmo com parecer contrário da PGR.
Nessa etapa, Vorcaro voltou a ser preso, assim como suspeitos apontados como integrantes de um núcleo de intimidação de testemunhas. Foram bloqueados mais de R$ 22 bilhões e dois servidores do Banco Central foram afastados. Apesar do reforço na segurança, investigadores não descartam que alvos tenham recebido informações antecipadas.
Grupo “A Turma” e acesso a dados sigilosos
As investigações revelaram a existência de um grupo informal, apelidado de “A Turma”, que teria monitorado autoridades, jornalistas e críticos do banco, além de acessar bases de dados da PF, PGR, Justiça Federal e Interpol. Um policial federal aposentado foi preso por suposto envolvimento.
Provas desaparecidas e novas frentes de apuração
Segundo fontes da apuração, o possível rompimento do sigilo operacional afetou a coleta de provas, principalmente celulares, discos rígidos e documentos físicos. A PF conduzirá inquérito paralelo para identificar quem teria antecipado dados confidenciais. Caso a suspeita se confirme, podem ser abertos novos procedimentos criminais.
Com informações de Gazeta do Povo