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Moraes afirma que Bolsonaro liderou tentativa de golpe, segundo provas apresentadas no STF

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Brasília – O ministro Alexandre de Moraes declarou, na manhã desta terça-feira (9), que o material reunido pela investigação da suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 indica a liderança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no plano para manter-se no poder.

A afirmação ocorreu durante a leitura do voto de Moraes no julgamento do chamado “núcleo 1”, considerado o ponto central da ação penal analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O processo teve início na semana passada e deve ser concluído ainda nesta semana.

Organização criminosa

Segundo o relator, de julho de 2021 a 8 de janeiro de 2023 funcionou uma “organização criminosa, permanente e hierarquizada”, chefiada por Bolsonaro, cujo objetivo seria restringir o Poder Judiciário e depor, mediante violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído.

Moraes exibiu uma apresentação com 13 eventos que, de acordo com ele, se conectam para caracterizar o plano golpista. Entre esses pontos estão o monitoramento de adversários por órgãos públicos, ataques ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral em transmissões ao vivo, a reunião com embaixadores para questionar a urna eletrônica, suposto uso da Polícia Rodoviária Federal no segundo turno de 2022 e a chamada “minuta do golpe” que previa Estado de Sítio ou de Defesa.

Réus e acusações

Além de Bolsonaro, respondem no processo:

  • tenente-coronel Mauro Cid, delator do caso;
  • deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor da Abin;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice em 2022.

Todos são acusados de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado por violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. No caso de Ramagem, a parte da denúncia referente a fatos posteriores à sua diplomação como deputado, em dezembro de 2022, está suspensa até o fim do mandato.

Próximos passos

Após Moraes concluir o voto, a Corte ouvirá, pela ordem, os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, entre quarta (10) e sexta-feira (12). Se houver condenação, as penas serão fixadas ao final, mas só poderão ser executadas depois do trânsito em julgado.

Na primeira semana de julgamento, a Procuradoria-Geral da República apresentou a acusação e as defesas expuseram seus argumentos. Bolsonaro, assim como na fase inicial, optou por não comparecer presencialmente à sessão desta terça-feira.

O julgamento ocorre em meio a pressões políticas internas e externas, mencionadas por Moraes em seu relatório, mas o ministro ressaltou que o STF “não aceitará coações”.

Com informações de Gazeta do Povo