O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, os advogados particulares de Eduardo Tagliaferro do processo e nomeou a Defensoria Pública da União (DPU) para representá-lo. Tagliaferro é ex-assessor de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atualmente reside na Itália.
A decisão foi motivada pela ausência da defesa, liderada pelo advogado Paulo Faria, em audiência de instrução marcada por Moraes. Os defensores se recusaram a participar em protesto contra a forma de intimação do réu, realizada por meio de edital. O ministro alegou que Tagliaferro se encontrava em “lugar incerto e não sabido”, apesar de existir pedido de extradição encaminhado às autoridades italianas.
Antes disso, Moraes já havia anulado outra audiência porque o defensor público Claudionor Barros Leitão — convocado de última hora — se negou a fazer perguntas às testemunhas. Agora, o magistrado marcou novo interrogatório para 28 de abril.
Testemunhas e prisão em Caieiras
A Procuradoria-Geral da República (PGR) indicou cinco testemunhas para o processo: os delegados paulistas Aldo Galiano Júnior, José Luiz Antunes e Luciana Raffaelli Santini; o escrivão Silvio José da Silva Júnior; e o agente Vander Luciano de Almeida. O grupo participou da prisão de Tagliaferro em Caieiras (SP), em 2023, por suspeita de ameaçar a esposa, Carla Bottoni Tagliaferro, com arma de fogo.
Em depoimento, os policiais relataram surpresa com a presença expressiva de jornalistas na porta da delegacia antes mesmo da chegada de Tagliaferro. Segundo os depoentes, um repórter comentou que “um peixe grande” chegaria em breve ao local.
A investigação, que começou por suposta violência doméstica e disparo de arma, avançou para violação de sigilo funcional após os agentes apreenderem um aparelho que acreditavam ser de uso institucional.
Repercussão
Fora do país, Tagliaferro ganhou notoriedade ao divulgar mensagens de servidores ligados aos gabinetes de Moraes no TSE e no STF. O ministro nega qualquer irregularidade nas apurações sobre desinformação e afirma que todos os atos constam nos autos.
Com informações de Gazeta do Povo