Brasília – Na reta final do primeiro semestre de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 80 anos, atravessa 15 sessões de radioterapia preventiva no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após a retirada de um carcinoma basocelular no couro cabeludo em abril. Paralelamente ao tratamento, o Planalto intensificou a divulgação de imagens que destacam a disposição física do chefe do Executivo para afastar dúvidas sobre sua capacidade de disputar a reeleição em 2026.
Tratamento foge ao protocolo mais comum
Médicos ouvidos por especialistas notaram que, para tumores de baixa agressividade como o carcinoma basocelular, a conduta habitual se limita à remoção cirúrgica da pele afetada. A opção pela radioterapia complementar, embora prevista, não é a regra. A Presidência afirma que toda a lesão foi extirpada e classifica as sessões como medida preventiva.
Histórico médico recente
Além do câncer de pele, Lula recupera-se de uma cirurgia no quadril realizada anteriormente e de pequenas lesões cerebrais provocadas por uma queda doméstica em 2024. Mesmo assim, tem aparecido em vídeos correndo na esteira, participando de agendas internacionais e tirando o chapéu em eventos públicos para mostrar a cicatriz, numa estratégia de transparência e superação.
Doença como ativo político
Cientistas políticos apontam que quadros de saúde delicados podem gerar empatia no eleitorado quando o líder demonstra resiliência. Casos recentes no Brasil, como os de Bruno Covas e Jair Bolsonaro, ilustram como episódios médicos se convertem em elementos de conexão emocional com apoiadores.
Disparidade com a rede pública
Enquanto Lula iniciou a radioterapia cerca de um mês após a cirurgia – intervalo considerado ideal – aproximadamente 100 mil pacientes deixam de receber o mesmo tratamento todos os anos no Sistema Único de Saúde (SUS) por falta de aparelhos e infraestrutura, segundo estimativas de entidades do setor.
Com o cronograma de sessões previsto para terminar ainda neste semestre, aliados do presidente pretendem manter a exposição controlada da rotina médica como parte da narrativa de vitalidade que sustentará a campanha pela reeleição.
Com informações de Gazeta do Povo