Brasília, 9 de outubro de 2025 — Um dia depois de a Câmara dos Deputados rejeitar a Medida Provisória da Taxação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o discurso de que o resultado favoreceu os mais ricos e prejudicou a população. A matéria foi retirada de pauta por 251 votos a 193, fazendo a MP perder validade.
O texto buscava substituir o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e garantir arrecadação adicional de R$ 17 bilhões em 2026 — valor que já havia sido reduzido em R$ 3 bilhões durante as negociações, sobretudo na tributação de sites de apostas e de determinados títulos de investimento.
Críticas a deputados e promessa de nova proposta
Em entrevista à rádio Piatã FM, da Bahia, concedida no Palácio da Alvorada, Lula disse que o Congresso “derrotou o povo brasileiro” ao recusar a cobrança. Segundo ele, o governo propôs alíquota de 18%, que acabou negociada para 12% para fintechs e big techs, mas nem assim obteve apoio suficiente.
“O trabalhador paga 27,5% de Imposto de Renda e os que ganham mais não quiseram pagar 12%”, afirmou o presidente, anunciando que pretende negociar diretamente com o mercado financeiro para viabilizar uma nova forma de taxar as empresas do setor.
Próximos passos
Lula informou que reunirá a equipe econômica na próxima quarta-feira (15) para discutir alternativas. Durante a tramitação da MP, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), chegou a ameaçar cortes de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões em emendas parlamentares caso a medida não avançasse.
Após a derrota, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cobrou o cumprimento de acordos firmados com partidos. Em conversa com Lula logo após a votação, ouviu do presidente a recomendação para “relaxar” e aproveitar o fim de semana.
Reações políticas
A oposição comemorou o resultado, classificando a MP como “irresponsabilidade fiscal”. Já a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, declarou que quem votou contra a proposta “atendeu aos privilégios de uma pequena parcela muito rica do país”.
Agenda presidencial
Depois da entrevista, Lula partiu para a Bahia, onde participa da inauguração oficial da fábrica da BYD em Camaçari e de anúncios de investimentos federais no estado. À noite, segue para São Paulo e, no domingo (12), embarca para Roma a fim de participar de um debate da Aliança Global contra a Fome e a Miséria.
Com informações de Gazeta do Povo