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Janela partidária impulsiona PL, reduz influência do Centrão e sinaliza desafio para Lula

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A janela partidária encerrada no último fim de semana reforçou o peso do PL na Câmara dos Deputados, esvaziou bancadas do Centrão e limitou ganhos dos partidos aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com a entrada de cerca de 20 deputados e a saída de sete, o PL passou de 87 para 97 cadeiras, mantendo-se como a maior força da Casa e principal partido de oposição. A sigla, comandada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, esperava superar a marca de 100 parlamentares, mas comemorou o resultado. “Queríamos muito que chegasse a 100, mas somos gratos a Deus pelos 97”, afirmou o líder Sóstenes Cavalcante (RJ).

Perdas concentradas no Centrão

O crescimento do PL ocorreu, em grande parte, às custas do União Brasil. A legenda do Centrão perdeu 25 deputados e recebeu 11, acumulando saldo negativo de 14. Nove desses parlamentares migraram diretamente para o PL, entre eles Dani Cunha (RJ), Coronel Assis (MT), Rosângela Moro (SP) e Rodrigo Valadares (SE).

Integrantes do União atribuem a debandada à recente federação com o Progressistas (PP) — batizada de União Progressista — e a divergências internas sob a presidência de Antônio Rueda. Além do PL, o partido viu cinco deputados migrarem para o Podemos e outros cinco para o Republicanos.

O PP também encolheu: três deputados saíram, deixando a bancada em 49 cadeiras. Aliados de Rueda e do senador Ciro Nogueira (PI) admitem incômodo com a perda de nomes como Alfredo Gaspar (AL), que integrou a CPMI do INSS antes de ingressar no PL.

Base governista mantém tamanho

No campo aliado ao Planalto, a federação PT-PCdoB-PV preservou 81 parlamentares. O PT perdeu Luizianne Lins (CE) para a Rede e ganhou Paulo Lemos (AP), ex-PSOL, mantendo 67 deputados. “Conseguimos manter todos os nossos deputados e atrair quadros qualificados”, avaliou Aliel Machado (PR), líder do PV.

Entre os parceiros do governo, o PSB foi destaque positivo: recebeu quatro deputados e alcançou 20 cadeiras. Já o PDT sofreu forte retração, caindo de 16 para nove representantes após perder oito deputados e ganhar apenas um.

Peso nas eleições de 2026

O tamanho das bancadas define o repasse do fundo partidário e o tempo de propaganda gratuita. Em 2023, as legendas dividiram cerca de R$ 1 bilhão; para 2024, o cálculo continuará baseado na Câmara eleita em 2022.

Para o cientista político Elias Tavares, o avanço do PL combina “recurso, visibilidade e um campo político organizado”, criando ambiente favorável à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (RJ). Ele pondera, porém, que o cenário permanece “aberto”.

André César, analista da Hold Assessoria Legislativa, destaca que, até as convenções partidárias de junho e julho, o foco será a formação de alianças. Já Tavares avalia que o Centrão não colapsou, mas “se reorganiza para sobreviver em um ambiente mais polarizado”.

Com as mudanças consolidadas, a oposição ampliou espaço, enquanto o governo conta agora ainda mais com o apoio de setores do Centrão para aprovar pautas sensíveis na Câmara.

Com informações de Gazeta do Povo