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Às vésperas do período eleitoral, governo Lula libera R$ 33,9 bilhões em emendas

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Brasília – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quitou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares até 4 de julho, estabelecendo o maior volume de pagamentos antes do início oficial da campanha eleitoral desde que há registro.

Os dados, extraídos do sistema Siga Brasil do Senado Federal, indicam que o montante já supera todo o valor desembolsado em 2022, ano da última eleição presidencial. As liberações ocorreram às vésperas do chamado defeso eleitoral – período de três meses que antecede o pleito e restringe transferências voluntárias da União, exceto para obras em andamento ou situações de emergência.

Pagamentos superam investimentos do Novo PAC

Enquanto as emendas alcançaram quase R$ 34 bilhões, os investimentos efetivamente pagos pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) somaram R$ 19,65 bilhões no mesmo intervalo. O valor das emendas representa cerca de 25% das despesas discricionárias executadas pelo governo federal em 2026.

Recursos antecipados para projetos não concluídos

Levantamento do Estadão, confirmado pela Gazeta do Povo, mostra que aproximadamente R$ 24,5 bilhões foram destinados a obras ou projetos ainda não finalizados, permitindo que estados e municípios utilizem o dinheiro durante o período eleitoral. A prática foi facilitada por mudanças nas regras orçamentárias, como a criação das emendas Pix em 2019, que possibilitam repasses diretos a governadores e prefeitos, e pela ampliação do pagamento antecipado de outras modalidades.

Além disso, entrou em vigor neste ano um calendário aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado por Lula que prioriza a execução das emendas no primeiro semestre.

Distribuição das emendas

Do total desembolsado em 2026:

  • R$ 18,55 bilhões correspondem a emendas individuais;
  • R$ 7,68 bilhões a emendas de comissão;
  • R$ 7,28 bilhões a emendas de bancada estadual;
  • cerca de R$ 386 milhões referem-se a restos a pagar ligados ao antigo orçamento secreto, além de valores autorizados em exercícios anteriores.

Procurado pela reportagem, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre os critérios adotados para as liberações até o fechamento desta edição.

Com informações de Gazeta do Povo