A professora e secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, embarcou em 29 voos da Força Aérea Brasileira (FAB) ao longo de 2025, quase sempre ao lado do marido, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, segundo dados reunidos pela Gazeta do Povo.
Entre os deslocamentos, destaca-se o trajeto de 27 de setembro, um sábado, quando o casal e um terceiro passageiro viajaram de São Paulo para Brasília. No dia seguinte, a agenda oficial de Haddad previa café da manhã e brunch da Corrida e Caminhada MEC 95 anos.
Outro registro ocorreu em 25 de agosto, uma segunda-feira, também entre São Paulo e Brasília, com a presença de quatro passageiros adicionais além do ministro e de Ana Estela.
Histórico de uso de aeronaves oficiais
O transporte de familiares em aviões da FAB não é inédito. Quando chefiou o Ministério da Educação no governo Dilma Rousseff, Haddad somou 97 voos entre Brasília e São Paulo com a esposa, a filha menor, assessores e outras autoridades.
Em 26 de dezembro de 2011, o então ministro voou em um Learjet de São Paulo para Brasília acompanhado da mulher, dos dois filhos e da mãe. Houve ainda deslocamento em jato para 45 passageiros apenas com a filha e, em 2024, viagens nas quais estavam somente Haddad e Ana Estela, situação que críticos apelidaram de “Uber aéreo”.
No biênio 2010-2011, Haddad registrou 130 deslocamentos em aeronaves oficiais, incluindo 46 trajetos exclusivos para São Paulo sem outros ministros a bordo; em 15 voos, estavam apenas ele, a esposa e a filha. Em algumas ocasiões, também viajaram a mãe e o filho do ministro.
Posicionamento oficial
Procurada, a assessoria de Fernando Haddad afirmou que Ana Estela Haddad “jamais ocupou assento na condição de esposa do ministro”. De acordo com a nota, todas as viagens ocorreram enquanto ela exercia o cargo de secretária de Informação e Saúde Digital, função que a enquadra como autoridade pública apta a ocupar lugares disponíveis em voos da FAB, conforme o Decreto 10.267/2020.
O comunicado acrescenta que insistir em classificá-la como acompanhante do marido “configura misoginia” por desconsiderar seu currículo e a posição que ocupa.
Com informações de Direita Online