Uma proposta de compra de um terreno de R$ 250 milhões em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA), provocou a remessa da investigação sobre o Banco Master ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento, encontrado pela Polícia Federal em endereço ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, estava em papel timbrado da Câmara dos Deputados e levava a assinatura do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).
Por que o caso subiu de instância?
Como o material envolvia um parlamentar com foro privilegiado, a defesa de Vorcaro alegou que apenas o STF poderia conduzir o processo. A Justiça acatou o argumento, e o inquérito deixou a primeira instância.
Negociação nunca se concretizou
Bacelar disse ter encaminhado a proposta porque Vorcaro demonstrara interesse no empreendimento, mas afirmou que a venda foi cancelada quando o Banco Master passou por dificuldades financeiras. A PF destacou que o negócio imobiliário não tem relação direta com o objeto original da apuração, que mira possíveis fraudes na venda de carteiras de crédito.
Mudança de relatoria no Supremo
O caso chegou ao STF em fevereiro de 2026 sob relatoria do ministro Dias Toffoli. Um relatório policial mencionou contatos anteriores entre Toffoli e Vorcaro, e o magistrado decidiu se declarar impedido. Após novo sorteio, o processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça.
Novo ritmo das investigações
Mendonça reduziu o grau de sigilo e devolveu a perícia integral à Polícia Federal. Agora, um grupo ampliado de especialistas examina milhares de documentos e cerca de cem dispositivos eletrônicos, com prazo de até 60 dias para concluir o trabalho.
‘Cine Trancoso’ é outro episódio
O terreno de R$ 250 milhões não se confunde com o chamado escândalo Cine Trancoso, que envolve supostas festas organizadas por Vorcaro em outra propriedade na mesma região. São frentes distintas dentro do conjunto de investigações sobre o Banco Master.
Com informações de Gazeta do Povo