Brasília, 22 de junho de 2026 — A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retire a limitação de tempo imposta às reuniões entre o investigado e seus advogados. O pedido tem como objetivo garantir preparação para o depoimento presencial marcado para terça-feira (23), no inquérito que apura a apreensão de uma pistola registrada em nome de Bolsonaro.
Na petição, os advogados argumentam que a medida é “indispensável ao pleno exercício da garantia constitucional da ampla defesa”, permitindo “necessária interlocução entre o custodiado e seus patronos antes da realização do ato”. Até o momento, Moraes não decidiu sobre a flexibilização.
Depoimento antes do fim da prisão domiciliar
O interrogatório será conduzido pela Polícia Civil do Distrito Federal e ocorrerá dois dias antes de se completarem 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro. O prazo termina na quinta-feira (25), data em que o ministro avaliará a manutenção ou não do benefício.
Arma apreendida com membro da escolta
A investigação teve início após um sargento cedido ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que integrava a equipe de escolta de Bolsonaro, ser parado em uma blitz. Durante a revista, agentes encontraram no veículo uma arma de fogo registrada em nome do ex-presidente. Em depoimento, o militar afirmou que levou a pistola para conserto e planejava devolvê-la no dia seguinte.
A Polícia Civil informou que tentou intimar pessoalmente Bolsonaro, mas a equipe de escolta não permitiu a entrega da notificação, “impossibilitando a ciência pessoal do intimando”.
Prisão domiciliar e estado de saúde
Moraes autorizou a prisão domiciliar humanitária em 24 de março, atendendo parecer da Procuradoria-Geral da República, para que Bolsonaro concluísse a recuperação de uma broncopneumonia bacteriana. Durante o período em casa, o ex-presidente também foi submetido a uma cirurgia no ombro direito para tratar uma lesão no manguito rotador.
No relatório médico mais recente, de 19 de junho, o fisioterapeuta Kléber Antonio Caiado de Freitas relatou restrições nos movimentos de rotação do ombro, enquanto o cardiologista Brasil Ramos Caiado apontou “alterações residuais” na base do pulmão esquerdo.
O STF deve reavaliar o regime domiciliar após o término do prazo inicial, podendo determinar perícia médica adicional antes de decidir sobre eventual prorrogação.
Com informações de Gazeta do Povo