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Crise do caso Master aprofunda desconfiança e expõe rachas no STF

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O caso envolvendo o Banco Master reacendeu, nos últimos três meses, a atmosfera de antagonismo entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A divulgação de supostas ligações de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro provocou forte desgaste interno e intensificou as acusações de tentativa de blindagem contra investigações.

Em 22 de fevereiro de 2026, após sucessivas decisões consideradas “heterodoxas” — de Toffoli, para controlar o andamento do inquérito, e de Moraes, para reagir a vazamentos — integrantes da Corte passaram a trocar mensagens por meio da imprensa, sempre sob condição de anonimato, revelando o clima de desconfiança que paira sobre o tribunal.

Gravação e afastamento de Toffoli

O ponto alto da tensão ocorreu depois de uma reunião reservada em que o plenário decidiu retirar Toffoli da relatoria do inquérito do Master. No dia seguinte, o site Poder360 publicou trechos literais das falas dos ministros. À Folha de S.Paulo, colegas insinuaram que o próprio Toffoli teria registrado e vazado partes convenientes da conversa — hipótese negada por ele, que declarou estar “indignado”.

O afastamento foi motivado por mensagens extraídas do telefone de Vorcaro, que mencionavam pagamentos de R$ 35 milhões a uma empresa da família de Toffoli ligados à venda do resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná.

Ação da Receita e suspeitas sobre Moraes

Outro atrito surgiu em 18 de fevereiro, após Moraes autorizar busca e apreensão contra 100 servidores da Receita Federal suspeitos de divulgar dados fiscais de ministros e parentes. Integrantes do STF reclamaram de não terem sido avisados e levantaram dúvidas sobre o objetivo da medida. “Será que o Alexandre quer montar dossiês contra outros ministros?”, questionou, em off, um magistrado a O Globo.

Em janeiro, Moraes já havia aberto de ofício investigação sigilosa, dentro do inquérito das fake news, sobre o vazamento desses dados. A Receita então iniciou auditoria interna para rastrear acessos considerados irregulares. Um ministro teme que, durante o processo, Moraes tenha obtido informações sigilosas de colegas.

Reportagens anteriores apontaram que o patrimônio da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, saltou de R$ 24 milhões para R$ 79,7 milhões entre 2023 e 2024, além de contrato de R$ 129 milhões do escritório da família com o Banco Master. Nem o escritório nem o banco comentaram.

Código de ética e novos ataques

Paralelamente, a promessa do presidente do STF, Edson Fachin, de aprovar um código de ética interno também gerou resistência. Críticos passaram a chamá-lo de “Frachin” nos bastidores e, por meio de uma colunista do UOL, divulgaram que uma das filhas advogadas do ministro atua no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para a usina de Itaipu, no Paraná.

O tema das atividades de parentes de magistrados ganhou força em 2023, quando o STF autorizou juízes a julgar processos de clientes de escritórios onde atuem familiares, desde que não participem diretamente do caso. A decisão recebeu críticas por possível favorecimento. No escândalo atual, mensagens de Vorcaro indicam proposta de contrato com uma ex-mulher de Toffoli para representá-lo na Corte.

Histórico de atritos e pesquisa de opinião

Conflitos entre ministros não são novidade. Plenário já registrou discussões acaloradas durante o mensalão de 2012 e a Lava Jato. Entre 2019 e 2022, porém, a oposição ao então presidente Jair Bolsonaro uniu o colegiado, união reforçada após a invasão de 8 de janeiro de 2023. Com o caso Master, as divisões voltaram a surgir — agora ligadas a suspeitas de envolvimento pessoal de integrantes da Corte.

Uma pesquisa Quaest, divulgada em 12 de fevereiro, mostra que 82% dos brasileiros defendem a criação de um código de ética para ministros do STF. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre 5 e 9 de fevereiro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O prolongamento das suspeitas e o temor de novos vazamentos ampliam a crise de credibilidade do Supremo em meio às disputas internas.

Com informações de Gazeta do Povo