Brasília — Mesmo com o número de apoios necessário, o pedido para instalar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master continua parado no Congresso Nacional. A leitura do requerimento, etapa indispensável para dar início à investigação, depende do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não incluiu o ato na pauta.
Suspeitas centrais
A CPMI pretende apurar alegações de fraudes financeiras e lobby político envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal realizou recentemente buscas contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), acusado de receber vantagens para beneficiar o banqueiro Daniel Vorcaro. Outro foco de preocupação é o aporte de aproximadamente R$ 400 milhões de um fundo de previdência do Amapá em aplicações de alto risco na instituição, levantando temores sobre a segurança das aposentadorias de servidores estaduais.
Resistência política
Embora existam assinaturas suficientes para abrir a comissão, líderes do Centrão e o próprio Alcolumbre demonstram cautela. Parlamentares avaliam, em conversas reservadas, que uma CPI ampla poderia atingir figuras influentes de várias legendas, provocando desgaste político em efeito cascata. Há, portanto, um movimento para “esfriar” o tema.
Divisão entre oposição e governo
A oposição, capitaneada pelo PL, defende manter o texto original do requerimento, que também aborda tensões com o Supremo Tribunal Federal (STF). Já a base governista, após sucessivas derrotas no Legislativo, passou a apoiar a investigação, mas apoia versões alternativas apresentadas por partidos de esquerda. Essas propostas restringem o foco ao sistema financeiro, reduzindo o espaço para a direita comandar a pauta.
Papel de Alcolumbre nas investigações
Além de controlar a agenda do Congresso, Alcolumbre é citado nas apurações pela influência de aliados e de seu irmão, Alberto Alcolumbre, sobre o fundo de previdência amapaense que investiu no Banco Master. A assessoria do senador nega qualquer interferência ou irregularidade.
Efeito do calendário eleitoral
À medida que se aproximam as eleições de 2026, a avaliação nos bastidores é de que uma CPI exigiria presença constante dos parlamentares em Brasília, algo considerado indesejável em período pré-eleitoral. Líderes do Centrão temem que a exposição resultante prejudique suas campanhas, motivo adicional para postergar a instalação da comissão.
Sem a leitura do requerimento em plenário, a CPMI do Banco Master permanece travada, à espera de decisão política que destrave a investigação.
Com informações de Gazeta do Povo