Brasília – Uma brincadeira feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito do atacante Neymar Jr. virou tema de disputa política em plena Copa do Mundo de 2026. A fala, registrada na sexta-feira (19) durante evento em Belo Horizonte, gerou resposta indireta do jogador e, no sábado (20), levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, a entrar em campo para criticar o chefe do Executivo.
O que Lula disse
Ao conversar com uma criança, Lula perguntou “quem o Brasil tem de bom de bola”. O garoto citou Neymar, e o presidente retrucou:
“Neymar não está nem jogando, cara. Ouvi ontem que o Neymar é o primeiro convocado home office do mundo.”
A plateia reagiu com risos e aplausos. O atacante se recupera de lesão e ainda não estreou na competição.
Resposta velada do jogador
Horas depois, o perfil oficial do site de Neymar publicou nas redes sociais a expressão “No day off” (“sem dia de folga”), interpretada como recado ao presidente por aludir ao termo “home office”. O post não mencionou Lula, mas repercutiu entre apoiadores e críticos do governo.
Intervenção de Flávio Bolsonaro
No dia seguinte, Flávio Bolsonaro saiu em defesa do camisa 10. Em publicação on-line, elogiou Neymar, chamou Lula de “presidente turista” e afirmou que o jogador “já fez mais pelo Brasil” do que o petista. O senador apareceu ainda em evento de pré-campanha, em São Paulo, vestindo camisa da seleção com nome e número de Neymar.
Antecedentes da aproximação
Neymar mantém relação pública com aliados de Jair Bolsonaro desde as eleições de 2022, quando declarou apoio à reeleição do então presidente. Em 2023, Bolsonaro entregou ao atleta a medalha dos “3 Is” — “imbrochável, imorrível e incomível”.
Em maio deste ano, o Partido Liberal divulgou vídeo produzido com inteligência artificial no qual Flávio aparecia caracterizado como jogador da seleção, acompanhado da mensagem “Flávio é Neymar. Neymar é Flávio”, apresentando o senador como “craque” escalado para a eleição de 2026.
A troca de mensagens transformou um comentário esportivo em novo capítulo da polarização entre Planalto e oposição, ampliando o uso do futebol como plataforma de disputa eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo