Brasília – Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que o empresário circulava com facilidade entre autoridades dos três Poderes antes de ser preso na Operação Compliance Zero. A investigação, conduzida pela Polícia Federal (PF) e relatada pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), apura um suposto esquema de fraudes bilionárias na instituição financeira.
Reunião no Planalto sem registro oficial
Em conversa de 4 de dezembro de 2024, Vorcaro relata ter participado de um encontro no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então chefe da Casa Civil Rui Costa, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Segundo o banqueiro, o tema foi a concentração bancária no país. O compromisso não aparece na agenda pública da Presidência.
Contatos frequentes com ministros do STF
As trocas de mensagens mostram diálogo recorrente entre Vorcaro e magistrados. No 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres em abril de 2024 e patrocinado pelo Banco Master, ele diz ter discursado diante dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além de integrantes do Superior Tribunal de Justiça.
Registros também apontam troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes em 17 de novembro de 2025, dia em que o empresário foi detido no Aeroporto de Guarulhos. O ministro nega ter recebido qualquer contato e, em nota, afirmou que análise técnica mostra que os prints não estavam vinculados ao seu número.
Patrocínio em jantar nos EUA
Documentos da PF incluem a planilha de um jantar da Lide Brazil Conference, em Nova York, em novembro de 2022. Moraes e Toffoli aparecem alocados na “mesa 2 Banco Master”, ao lado da advogada Viviane Barci, mulher de Moraes, e do empresário Nelson Tanure. Outra mesa, também bancada pelo banco, reuniu Michel Temer, Henrique Meirelles, João Doria e o próprio Vorcaro. Nenhum deles é investigado nesse episódio.
Ponte com o Congresso
Diálogos do celular revelam proximidade do banqueiro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem ele chama de “grande amigo”. Vorcaro comemora, em mensagem, uma emenda apresentada por Nogueira para elevar a garantia do Fundo Garantidor de Créditos para R$ 1 milhão — proposta que não prosperou. O senador confirmou conhecer o empresário, mas negou irregularidades.
Há ainda registros de jantares com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e reuniões na residência oficial da Presidência do Senado com Davi Alcolumbre (União-AP). Procurados, Motta e Alcolumbre não comentaram o conteúdo das conversas.
PF: menções não comprovam crime de autoridades
A Polícia Federal ressalta que a citação de nomes em diálogos privados não implica envolvimento das autoridades em irregularidades. Mesmo assim, investigadores mapeiam a rede de relacionamentos de Vorcaro, cujo possível acordo de colaboração premiada é cogitado nos bastidores e já pressiona o Congresso a abrir novas frentes de apuração.
Com informações de Gazeta do Povo