O cenário político brasileiro atual é marcado por uma intensa polarização, onde figuras como Luiz Inácio Lula da Silva são vistas como líderes messiânicos. Essa percepção transforma a política em uma luta entre a “luz” e as “trevas”, com uma oposição frequentemente demonizada e a crítica considerada traição.
O autor da análise aponta que a história brasileira é repleta de líderes carismáticos que emergem como salvadores em tempos de crise, e que o messianismo associado a Lula, com sua retórica apocalíptica, pode ser mais próximo do fascismo do que das propostas da direita.
A narrativa política atual apresenta uma dicotomia extrema: de um lado, a “democracia”; do outro, a “barbárie”, onde a eleição se torna um ato de votar contra o fim do mundo, ao invés de um apoio a um programa de governo. O adversário político desapareceu do discurso, sendo substituído por uma figura quase demoníaca, representando o Anticristo.
Lula é descrito como um ator que domina a arte da persuasão, sua trajetória pessoal se assemelhando a um enredo cinematográfico, capturando a imaginação de seus seguidores. A discussão política se limita a questões de fé, enquanto críticas são rapidamente rotuladas como “ódio”, evidenciando a falta de um debate saudável sobre políticas públicas.
Essa confusão entre a figura do líder e as expectativas populares não é nova no Brasil. Desde Dom Sebastião, que desapareceu em 1578, até figuras como Getúlio Vargas e Jânio Quadros, o país sempre buscou salvadores. No entanto, o apocalipse que Lula promete é uma novidade, onde a vitória ou derrota dele é vista como a salvação ou condenação da nação.
A retórica política, segundo a análise, se alinha com os traços do que Umberto Eco definiu como fascismo eterno, onde a discordância é vista como traição e o líder se torna a única voz representativa do povo. Neste contexto, o Estado se torna uma entidade quase religiosa, com Lula assumindo um papel central na narrativa da luta pela sobrevivência da democracia.
Em suma, o ciclo de polarização e apocalipse tende a se repetir a cada eleição, refletindo um modelo de governo onde a responsabilidade é sempre atribuída ao outro. A política brasileira, assim, se configura como um incessante teatro de batalha, onde a vitória é celebrada como um milagre, e a derrota é encarada como um cataclismo.
Fonte: Revista Oeste.









