Brasília — A neutralidade anunciada pela federação União Progressista (PP-União Brasil) na disputa presidencial estreitou o leque de alianças do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e levou o Partido Liberal a intensificar conversas com o Republicanos para composição de chapa. Paralelamente, a sigla elabora um “plano B” que prevê candidatura pura caso a negociação não avance até o prazo final das convenções, em 5 de agosto.
Negociação com Republicanos
Dirigentes do PL veem no Republicanos o principal aliado disponível após a decisão de PP e União Brasil. As tratativas devem ser retomadas nos próximos dias com o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Entre os nomes cotados para a vice está Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e responsável pelo programa econômico da pré-campanha.
O avanço depende, porém, de ajustes em palanques estaduais. O Republicanos condiciona o apoio nacional a acordos regionais, com impasses concentrados em Mato Grosso — onde o PL defende a candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo, enquanto o partido de Tarcísio apoia a reeleição de Otaviano Pivetta. Acre, Minas Gerais e Espírito Santo também estão na mesa de negociações.
Opção de chapa pura
A convenção nacional do PL está marcada para sábado, 25 de julho, mas a escolha da vice pode ficar para o limite legal de 5 de agosto. Caso o acerto com o Republicanos fracasse, o partido avalia lançar uma chapa 100% liberal. Entre os nomes internos surgem as deputadas federais Júlia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF). Ambas já sinalizaram disposição para compor a candidatura.
Influência de Jair Bolsonaro
Segundo o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, o ex-presidente Jair Bolsonaro deverá dar a palavra final sobre a escolha da vice. Apesar disso, Bolsonaro está impedido de manter contato direto com o filho por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após Flávio divulgar carta de apoio do pai nas redes sociais.
Recuo de PP e União Brasil
A estratégia de priorizar o Republicanos foi decidida depois de reunião, em 22 de julho, entre Flávio e o presidente do PP, Ciro Nogueira. No encontro, Ciro informou que a federação formada por PP e União Brasil permanecerá neutra, alegando que a posição facilita composições estaduais e pode ampliar o desempenho proporcional — objetivo é eleger pelo menos 120 deputados federais.
Dirigentes próximos a Ciro afirmam que o relacionamento com Flávio vinha se deteriorando, sobretudo após o senador não defender publicamente o líder do PP na investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master. Mesmo assim, setores do PP paulista, liderados pelo deputado Guilherme Derrite, garantem apoio ao senador fluminense.
A campanha de Flávio Bolsonaro seguirá negociando até o último dia permitido, enquanto mantém a alternativa de chapa pura pronta para ser formalizada caso não consiga ampliar a coligação.
Com informações de Gazeta do Povo