A Polícia Federal (PF) requereu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma prorrogação de 90 dias do inquérito que investiga o financiamento do filme “Dark Horse”, relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A investigação, que começou em julho, tem como alvos o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é candidato à Presidência da República. O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes, a partir de trocas de mensagens entre Flávio e Vorcaro sobre o financiamento do longa-metragem.
No início, Flávio Bolsonaro negou ter solicitado recursos ao ex-banqueiro, mas posteriormente admitiu a conversa, alegando que os valores eram de origem privada e que não houve irregularidades. Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, afirmou que Vorcaro financiou mais de 90% do filme, que teve um orçamento de aproximadamente US$ 13 milhões, cerca de R$ 65,7 milhões na época.
A PF está investigando transferências financeiras ligadas a Vorcaro para os Estados Unidos e se parte desse dinheiro foi usada para cobrir despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. O ex-deputado negou a recepção de valores de um fundo associado ao banqueiro, alegando que investiu US$ 50 mil no projeto e depois recebeu o montante de volta.
Em uma outra linha de investigação, sob a supervisão do ministro Flávio Dino, a PF apura possíveis desvios de R$ 2 milhões em emendas parlamentares atribuídas ao deputado Mario Frias (PL) a entidades ligadas à proprietária da Go Up Entertainment. Essa apuração foi iniciada a partir de um pedido da deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
A Operação Make Up, deflagrada em 10 de setembro, resultou em 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados. Entre os alvos estavam Mario Frias e Karina Gama, investigados por supostos crimes como peculato e lavagem de dinheiro.
Um relatório da PF indicou que houve coincidências temporais entre as movimentações da produtora e os repasses das emendas de Frias, levantando suspeitas de que recursos públicos teriam sido utilizados nas filmagens. Além disso, foi identificada uma transferência de R$ 645,4 mil do deputado para a Go Up Entertainment.
Frias, que também atua como roteirista e produtor-executivo do filme, negou que as emendas tenham financiado a produção, assim como Flávio Bolsonaro rejeitou a acusação de uso de verba pública, denunciando uma suposta interferência política por parte de Dino nas eleições.
A defesa de Flávio Bolsonaro tentou, sem sucesso, transferir a investigação para o ministro André Mendonça entre 3 e 29 de julho, argumentando que ele deveria concentrar as apurações relacionadas ao filme, enquanto Dino investiga os desvios de emendas.
Fonte: Revista Oeste.









