Castel Gandolfo (Itália) – Ao rezar o Angelus neste domingo, 19 de julho de 2026, na Praça da Liberdade, o Papa Leão XIV alertou os católicos para não imaginarem Deus como “uma figura poderosa que se impõe pela força”. O pontífice, que passa um período de descanso na residência papal de Castel Gandolfo até 27 de julho, pediu uma vivência do Evangelho marcada por humildade, paciência e confiança.
Comentando a leitura dominical, o papa recordou três pequenas parábolas — o trigo e o joio, a semente de mostarda e o fermento na massa — usadas por Jesus para explicar o crescimento silencioso do Reino de Deus. Segundo Leão XIV, essas imagens mostram que a ação divina “se expande e transforma o mundo de dentro para fora”, sem recorrer a triunfalismos.
“Deus favorece a pequenez”, afirmou. “Ele nos deixa livres para aceitá-lo ou rejeitá-lo; seu amor age de modo discreto, mesmo entre o joio, como a menor das sementes que fermenta a massa sem fazer barulho.”
Crítica ao desejo de intervenções espetaculares
O pontífice reconheceu que, por vezes, os fiéis esperam gestos dramáticos do céu, capazes de eliminar imediatamente o mal. “Imaginamos um Deus forte e poderoso e, infelizmente, modelamos nossa maneira de ser cristãos e Igreja a partir dessa imagem”, disse. Apesar disso, acrescentou, o Reino de Deus continua crescendo “silenciosamente, mesmo em meio à escuridão”, exigindo olhar atento para distinguir o bem que germina.
Paciência e serviço no cotidiano
Referindo-se à semente de mostarda, Leão XIV destacou a necessidade de paciência diante dos “processos graduais” através dos quais Deus age na vida cotidiana. Já o fermento escondido na massa, afirmou, liberta os fiéis do desânimo e os convida a manter a fé quando o Senhor parece ausente. “Ele está sempre conosco, e seu amor está pronto para nos socorrer”, ressaltou.
Aplicação na vida pessoal e eclesial
O papa exortou os católicos a imitarem esse modo divino de agir, evitando “julgamentos arrogantes” e a tentação de impor-se “pelo poder e pela força”. Citou uma reflexão do então cardeal Joseph Ratzinger, em 2000, para reforçar a “lógica da semente, que não busca sucesso nem grandeza, mas se torna pequena para servir”.
Leão XIV concluiu que, ao adotar essa postura, os cristãos se transformam em “pequenas sementes do Evangelho” e em “fermento de amor” capaz de renovar o mundo de forma silenciosa e eficaz.
Com informações de Gazeta do Povo