O fechamento dos flophouses, conhecidos como SROs (hotéis de ocupação única), nos Estados Unidos, está diretamente associado ao aumento da população em situação de rua. Essa mudança, ocorrida principalmente a partir da década de 1970, pode ser atribuída a interesses políticos e financeiros que reduziram a oferta desses abrigos acessíveis, ao mesmo tempo em que a demanda por moradia econômica crescia devido ao fechamento de hospitais psiquiátricos estaduais.
Um exemplo emblemático desse processo ocorreu em New Haven, Connecticut, em 1970, quando o prefeito Richard Lee promoveu uma série de demolições de imóveis, alegando que isso era necessário para melhorar a habitação na cidade. Harold Cornwall, um residente de um flophouse da época, descreveu o ambiente como uma verdadeira comunidade, onde as pessoas se preocupavam umas com as outras.
Estudos, como o de Samuel Wallace, publicado em 1965, evidenciam a importância da interação social nos SROs, onde os moradores podiam encontrar apoio e serviços essenciais. Em cidades como Nova York, os SROs representavam mais de 10% do estoque de habitação disponível, oferecendo abrigo a uma população que muitas vezes era vista de forma negativa por fora, mas que, internamente, cultivava uma rede de apoio.
Apesar dos incêndios que marcaram a história dos SROs, a resposta das autoridades foi não em prol da segurança, mas pela eliminação desses espaços. Em 1955, Nova York baniu a construção de novos flophouses e implementou códigos de construção que tornavam inviável a manutenção desses hotéis, resultando na perda de 160 mil unidades de habitação a partir daquele ano.
Historiadores, como Paul Groth, documentaram a destruição de cerca de um milhão de quartos de hotéis residenciais entre 1970 e 1980, levando muitos a se tornarem sem-teto. O fechamento desses abrigos foi feito sob a justificativa de que não eram moradias permanentes, mas na prática, tornaram-se a única opção para muitos.
Richard Lee, o prefeito de New Haven, mais tarde expressou arrependimento por suas ações, reconhecendo que poderia ter restaurado os edifícios em vez de destruí-los. Essa reflexão destaca a desconexão entre as decisões políticas e as realidades enfrentadas pelas comunidades afetadas.
Com a eliminação dos flophouses, muitos ex-residentes agora dormem nas ruas, como apontam defensores dos direitos dos sem-teto, evidenciando a falha em atender às necessidades habitacionais da cidade. George McDonald, fundador do Doe Fund, uma organização de apoio a sem-teto em Nova York, resume a situação: “As pessoas dormem em grades do lado de fora.”
Este panorama revela que o fechamento dos flophouses não apenas contribuiu para o aumento da população em situação de rua, mas também destruiu comunidades inteiras que antes ofereciam um suporte vital para aqueles em necessidade.
Fonte: Christianity Today.









