A sexta edição da Cúpula Internacional sobre Liberdade Religiosa, realizada nesta segunda-feira (data não divulgada), ouviu um duro pronunciamento da ativista Karmella Borashan, do Conselho Internacional Assírio. Segundo ela, a comunidade cristã assíria “não tem chance de sobreviver” caso não receba apoio efetivo de nações ocidentais e de organismos multilaterais.
O alerta foi feito durante o painel “Vozes de comunidades religiosas subnotificadas em meio a conflitos”, que reuniu especialistas para discutir violações à liberdade de crença em diferentes regiões. Participantes pediram ações concretas dos Estados Unidos, de países europeus e das Nações Unidas.
Cristãos assírios entre jihadistas e forças curdas
Borashan atribuiu a escalada da perseguição assíria à queda de Saddam Hussein em 2003 e à guerra civil síria iniciada em 2011. Ela afirmou que, desde então, os assírios sofrem ataques sistemáticos tanto de jihadistas quanto de milícias curdas, que utilizariam táticas distintas para expulsar a minoria de seus territórios. “Muitas aldeias antes prósperas estão praticamente desertas”, relatou.
No Iraque, acrescentou, extremistas islâmicos promovem violência contra cristãos e destroem sítios arqueológicos assírios com mais de 3 000 anos. Há ainda leis que permitem a conversão forçada de crianças ao islamismo. “O cristianismo está desaparecendo do Oriente Médio”, disse a ativista, ao lembrar que a população cristã passou de cerca de 1,5 milhão para menos de 300 mil fiéis.
Ela destacou que os assírios, historicamente presentes em Iraque, Irã, Síria e Turquia, mantêm uma tradição cristã de mais de 2 000 anos e uma herança cultural que ultrapassa seis milênios. “O Ocidente falhou repetidamente com os cristãos assírios, abandonando-os a potências que os perseguem e massacram há gerações”, afirmou.
Sudão: convertidos em fuga
Kamal Fahmi, do grupo de defesa Set My People Free, descreveu o cenário no Sudão, país em guerra civil desde 2003 e quarto colocado na Lista Mundial de Vigilância 2026 da organização Portas Abertas. Convertidos do islamismo ao cristianismo, disse ele, costumam enfrentar rejeição familiar, ameaças e até execuções.
Segundo Fahmi, o golpe militar que derrubou o governo civil em 2021 agravou a situação: “Temos 14 milhões de deslocados, sendo 10 milhões dentro do país e 4 milhões fora. Nem a ONU possui recursos para atendê-los”.
Iêmen: prisão por fé
Representante da fé bahá’í no Iêmen, Keyvan Ghaderi contou que passou quatro meses preso em 2008 por causa de suas crenças. Ele relatou hostilidade inicial dos demais detentos, que o chamavam de infiel, mas disse que a convivência acabou mudando parte desse comportamento.
A Portas Abertas classifica o Iêmen como o terceiro pior país para cristãos. A apostasia é punível com a morte, locais de culto não muçulmanos estão proibidos há anos e o colapso do Estado de Direito amplia os riscos para minorias religiosas.
Os participantes do painel concluíram que a promoção do pluralismo religioso é essencial para estabilizar regiões em conflito e garantir direitos básicos a comunidades ameaçadas.
Com informações de Folha Gospel