O presidente da Argentina, Javier Milei, chega ao Brasil neste fim de semana para discursar na convenção nacional do PL, em São Paulo, e reforçar a estratégia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de vincular sua pré-candidatura ao Planalto a lideranças conservadoras de outros países.
Agenda em São Paulo
Além da fala no evento que marcará o lançamento oficial da campanha, Milei terá encontros políticos na capital paulista, entre eles uma reunião com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Não há previsão de audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Parceria selada em Buenos Aires
A aproximação ganhou força em 28 de junho, quando Flávio visitou Milei na Quinta de Olivos, residência oficial da Presidência argentina. Na ocasião, o senador elogiou o pacote de cortes de gastos adotado pelo vizinho — “motosserra” que reduziu ministérios pela metade — e comparou o cenário argentino ao brasileiro sob Lula.
Ao divulgar a reunião, Milei publicou foto com a legenda “vem aí a onda azul pelas mãos de Flávio Bolsonaro”.
Trump como outro pilar
Milei é o segundo nome de peso incorporado à vitrine internacional do pré-candidato. Em 16 de maio, Flávio foi recebido pelo presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca. Um dia depois, os EUA classificaram as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras — medida usada por aliados para mostrar a “capacidade de articulação” do senador.
Simbolismo político
Para o cientista político Elias Tavares, Milei exerce influência sobretudo “simbólica e discursiva” sobre a direita brasileira, ao encarnar o líder antissistema que confronta a “casta” política. Segundo ele, o impacto deve ser maior entre eleitores já alinhados ao bolsonarismo, com alcance limitado em segmentos moderados.
Sem visita a Jair Bolsonaro
Embora desejasse encontrar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília, Milei foi impedido pelo despacho do ministro Alexandre de Moraes (STF) que restringe visitas ao ex-mandatário.
Pesquisa sobre apoio de Trump
Levantamento PoderData/Aya feito de 12 a 15 de julho com 2.400 eleitores aponta que 42% veem um eventual endosso de Trump a um candidato brasileiro como negativo; 32% consideram positivo; 20% dizem não fazer diferença. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o estudo foi registrado no TSE sob o número BR-00059/2026.
Visão do PL
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, avalia que o apoio formal de Trump será “um ativo” para Flávio. Segundo ele, a aproximação com os EUA pode atrair investimentos e gerar empregos no país.
Com informações de Gazeta do Povo