Home / Internacional / Lula e Trump vão tratar de terras raras; Brasil tenta destravar até R$ 13 bi em aportes

Lula e Trump vão tratar de terras raras; Brasil tenta destravar até R$ 13 bi em aportes

ocrente 1778120457
Spread the love

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem encontro marcado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, para alinhar possíveis acordos sobre terras raras. O tema mobiliza Brasília porque, segundo estimativas da GIN Capital, o país pode atrair até R$ 13 bilhões em novos projetos, mas somente 35% desse valor deve ser de fato captado até 2028 se o ambiente de negócios não melhorar.

Janela de 24 meses

A busca por investimentos ganhou urgência com a mudança nas cadeias globais após a guerra comercial entre Washington e Pequim. A China responde por cerca de 70% da extração e 91% do refino mundial dos 17 elementos conhecidos como terras raras, essenciais a semicondutores, veículos elétricos e sistemas de defesa. Com 21 milhões de toneladas de reservas, o Brasil tem a segunda maior jazida do planeta, mas dispõe de uma janela estimada em 18 a 24 meses para assegurar contratos de fornecimento antes que outros fornecedores consolidem mercado.

Negócios já em curso

No setor privado, o movimento mais vistoso é a compra da mineradora goiana Serra Verde, dona da mina Pela Ema, pela americana USA Rare Earth (USAR) por US$ 2,8 bilhões. O negócio recebeu US$ 565 milhões da agência de fomento norte-americana DFC e inclui compromisso de venda de toda a produção da Fase 1 à indústria de defesa dos EUA por 15 anos.

O avanço estrangeiro também envolve Rússia e China. Em março, a estatal russa Rosatom, via Uranium One, formou com a brasileira NBEPar a joint venture Nadina Minerals para explorar jazidas no Paraná e na Bahia. Já a chinesa CNMC comprou a Mineração Taboca (AM) em 2024 por US$ 340 milhões e destinará mais US$ 100 milhões à extração de terras raras a partir de rejeitos de estanho.

Disputa no STF pode elevar risco-Brasil

A aquisição da Serra Verde foi questionada pela deputada Heloisa Helena (Rede-AL), que ingressou com Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) no Supremo Tribunal Federal para suspender a venda sob alegação de ameaça à soberania. Investidores temem que uma eventual decisão contrária ao contrato aumente o prêmio de risco de todo o setor de infraestrutura nacional.

Marco legal aprovado na Câmara

Na véspera da visita de Lula a Washington, a Câmara aprovou o Projeto de Lei 2780/24, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O texto, relatado pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), segue para o Senado e prevê:

  • Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União;
  • Programa de incentivos fiscais de R$ 5 bilhões em cinco anos para beneficiamento local;
  • Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos com poder de avaliar fusões e aquisições.

A ala à esquerda do PT defendia a criação da estatal Terrabras, com participação obrigatória de 50% nos projetos, mas o Planalto recuou para evitar afastar capital privado.

Principais projetos em avaliação

Sete empreendimentos preliminares concentram a maior parte do interesse internacional:

  • Aclara Resources – Projeto Carina (GO): R$ 3,5 bilhões.
  • Serra Verde – Mina Pela Ema (GO): aquisição de R$ 14 bilhões pela USAR.
  • Terra Brasil Minerals – Alto Paranaíba (MG): até R$ 3,1 bilhões.
  • Meteoric Resources – Projeto Caldeira (MG): R$ 2,3 bilhões.
  • Viridis Mining & Minerals – Projeto Colossus (MG): R$ 1,8 bilhão.
  • St. George Mining – Projeto Araxá (MG): até R$ 1,3 bilhão.
  • Atlas Critical Minerals (MG/GO): pelo menos R$ 1 bilhão.

Grande parte dessas iniciativas aposta nas chamadas argilas iônicas, depósitos que exigem menos energia para processo de separação e dispensam barragens úmidas, reduzindo risco ambiental e custo de licenciamento.

Enquanto Lula tenta costurar acordos em Washington, investidores aguardam definições sobre segurança jurídica e incentivos fiscais para decidir se transformam os memorandos de entendimento em obras efetivas.

Com informações de Gazeta do Povo

Você vota em quem para presidente?

Você vota em quem para presidente?