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Lula critica Trump e tarifas dos EUA em entrevista à CNN

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Em uma entrevista à CNN Internacional, realizada nesta segunda-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não hesitou em chamar Donald Trump de “imperador” e criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Lula também se manifestou contra a operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro em janeiro deste ano.

Durante a conversa com a jornalista Christiane Amanpour, Lula relembrou uma declaração feita em julho de 2025, quando afirmou que Trump deveria governar os Estados Unidos, e não se comportar como um “imperador do mundo”. Reiterando essa opinião, Lula disse: “Ele age como imperador. É uma forma de governar com a qual eu não concordo.”

O presidente brasileiro argumentou que Trump governa baseado na lógica da força econômica, onde o país mais poderoso pode impor suas decisões aos demais. “É a lei do mais forte. Eu não concordo com isso”, afirmou.

Lula também criticou as tarifas dos EUA, que aumentaram para 25% sobre certos produtos brasileiros, alegando que foram baseadas em informações falsas. Ele destacou que, após a implementação dessas tarifas, as exportações brasileiras para os EUA caíram 9%, enquanto as importações diminuíram 8,5%. Em contrapartida, o comércio com outros países aumentou em média 10,5%.

O presidente brasileiro destacou que está buscando novos mercados para o Brasil, afirmando: “Não vou ficar chorando pelo leite derramado. Vou procurar outros parceiros para tentar comprar e vender.”

Sobre a operação dos EUA na Venezuela, Lula classificou a ação como uma “afronta gravíssima à soberania” do país e afirmou que as consequências estabelecem um precedente perigoso nas relações internacionais. Ele criticou a percepção de que os EUA assumiram o controle da Venezuela e disse: “A soberania do país acabou. Isso não é bom para a democracia.”

Lula também comentou sobre a iniciativa Partners for Multilateralism (P4M), que ele lançou junto com líderes de outros países, buscando promover o multilateralismo como forma de equilibrar as relações comerciais internacionais. Para ele, a atual “guerra econômica” é desnecessária e favorece relações unilaterais.

Conforme Lula, o comércio internacional deve ser uma “via de mão dupla”, buscando equilíbrio em vez de permitir que potências imponham suas condições. Ele finalizou dizendo que, se as negociações com os EUA não avançarem, o Brasil poderá aplicar a Lei da Reciprocidade contra produtos americanos.

A entrevista ocorreu em Nova York, onde Lula participa da Assembleia Geral da ONU, e ele será o primeiro chefe de Estado a discursar na sessão desta terça-feira (22).

Fonte: Gazeta Do Povo.

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