Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, que não recorrerá ao cargo para proteger o filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, alvo de um inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Polícia Federal. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula disse acreditar na inocência do filho, que “jura todos os dias” não ter cometido irregularidades.
“Ele jura para mim todo dia que não fez nada de errado, e eu acredito nele. Mas, se for julgado, voltará ao Brasil e provará que é inocente”, afirmou o presidente. Lulinha reside atualmente na Espanha.
Inquérito autorizado pelo STF
Mais cedo, o ministro André Mendonça determinou a abertura de investigação sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha. Segundo a Polícia Federal, o empresário teria atuado para favorecer a empresa World Cannabis, ligada a Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, por meio de sua amiga Roberta Luchsinger.
Ao comentar o caso, Lula enfatizou que “não haverá nenhum privilégio” para o filho: “Se meu filho for acusado, será tratado como o filho de qualquer pessoa. Jamais pedirei a delegado ou juiz para deixar de fazer a coisa correta”.
Referência à Lava Jato e à morte de Marisa Letícia
O presidente lembrou o período em que permaneceu 580 dias preso durante a Operação Lava Jato e disse que a experiência serve de alerta a Lulinha. “Ele sabe o que eu passei e que minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava Jato. Então ele não tem o direito de errar.” A ex-primeira-dama Marisa Letícia faleceu em 3 de fevereiro de 2017, aos 66 anos, após um AVC hemorrágico.
Defesa questiona investigação
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, também coordenador da campanha de Lula à reeleição, criticou a abertura do inquérito e disse que a defesa não foi ouvida. Outro advogado da equipe, Guilherme Suguimori, considerou que a PF abriu nova investigação porque não conseguiu vincular o empresário à Operação Sem Desconto, que apura fraudes em aposentadorias do INSS.
Lula ainda recordou suposta “campanha difamatória” contra o filho desde 2006, citando rumores de que ele seria “dono da Friboi” ou possuiria “carro de ouro”.
O inquérito segue em fase inicial na Suprema Corte, sem prazo divulgado para conclusão.
Com informações de Gazeta do Povo