Washington, 18 de junho de 2026 — O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, confrontou membros do governo de Benjamin Netanyahu nesta quinta-feira (18) após críticas de autoridades israelenses ao memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã para encerrar a guerra com o Irã.
Em coletiva de imprensa, Vance declarou que “dois terços das armas que protegeram Israel nos últimos três meses foram produzidas nos Estados Unidos e pagas pelos contribuintes americanos”, ressaltando a dependência militar israelense. O vice-presidente pediu que Israel não “ataque o único aliado poderoso que ainda tem” e classificou como “estranha” a desconfiança demonstrada por parte do gabinete israelense.
As declarações miraram especialmente os ministros da ala mais conservadora, Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, que recomendaram ignorar o pacto. Segundo o jornal Times of Israel, ambos viram o acordo como ameaça direta à segurança do país.
O memorando, assinado na quarta-feira (17) pelo presidente Donald Trump e pelo mandatário iraniano Masoud Pezeshkian, antecipou em dois dias o cronograma previsto. O Irã recebeu amplo alívio econômico e aceitou, em princípio, diluir parte de seu urânio enriquecido; pontos centrais, como o futuro do programa nuclear, serão negociados em um período adicional de 60 dias iniciado nesta quinta.
A tensão aumentou porque EUA e Irã passaram a tratar Israel como parte sujeita aos termos do documento, embora Jerusalém não tenha participado das conversas. Netanyahu evitou críticas públicas, mas rejeitou a exigência iraniana de retirar forças israelenses do Líbano.
Vance afirmou que Israel “tem direito de se defender”, mas deve respeitar o processo de paz conduzido por Washington. Ele acrescentou que espera que o Hezbollah não dispare foguetes contra Israel, porém alertou para uma reação israelense “descontrolada” no território libanês.
Pesquisa divulgada pela emissora Channel 12 indicou que 71% dos israelenses não confiam que Trump protegerá os interesses de Israel nas negociações; 13% disseram confiar e 16% não souberam responder.
O presidente Trump declarou esperar “cessar-fogo completo em todas as frentes”, incluindo Líbano, Hezbollah e Israel.
Com informações de Gazeta do Povo