O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “muito boa” a reunião de aproximadamente três horas que manteve nesta quinta-feira (7) na Casa Branca com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Na rede Truth Social, o líder norte-americano chamou Lula de “dinâmico” e destacou que o diálogo abordou “muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas”.
O encontro faz parte de uma visita de trabalho de Lula a Washington e ocorreu em meio à tentativa dos dois governos de reduzir tensões recentes na relação bilateral. Após a conversa reservada, não houve a coletiva de imprensa conjunta que estava programada.
Apelo por investimentos norte-americanos
Em entrevista posterior na Embaixada do Brasil, Lula disse ter recorrido ao “fator China” para pedir mais investimentos dos EUA no país. O presidente lembrou que Pequim assumiu, por volta de 2008, o posto de principal parceiro comercial brasileiro.
“Eu disse ao presidente Trump que é importante os Estados Unidos voltarem a ter interesse nas coisas do Brasil; muitas vezes fazemos licitações internacionais e os EUA não participam, enquanto os chineses participam”, afirmou Lula.
Próximos passos
Trump informou que representantes dos dois países voltarão a se reunir “no futuro” para detalhar pontos considerados essenciais. Segundo Lula, os ministérios dos dois governos devem retomar o diálogo dentro de semanas para tratar de tarifas e da investigação norte-americana baseada na Seção 301 sobre práticas comerciais brasileiras.
Comitiva brasileira e temas discutidos
Lula esteve acompanhado dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Márcio Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também integrou a delegação, mas não participou da reunião restrita.
Os governos discutiram comércio bilateral, cooperação no combate a crimes transnacionais e exploração de minerais críticos. Nenhum acordo foi assinado.
Tensões recentes
A conversa ocorreu depois de semanas de atritos, que incluíram críticas de Lula às ações dos EUA no Irã e em Cuba, expulsões de agentes de segurança de ambos os lados e a intenção de Washington de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, medida à qual Brasília se opõe.
Cuba e Irã
Lula relatou que Trump assegurou não planejar “invadir Cuba” e colocou-se à disposição para ajudar em eventuais negociações sobre Havana. O brasileiro voltou a criticar uma eventual guerra no Irã, defendendo que diferenças sejam resolvidas “no diálogo”.
Esta foi a segunda reunião oficial entre Trump e Lula; a anterior ocorreu em outubro, na Malásia, durante a cúpula da Asean. Novos encontros entre as equipes técnicas dos dois países devem ser marcados nos próximos meses.
Com informações de Gazeta do Povo