Washington, 2 abr. 2026 – Reportagem do jornal britânico Financial Times publicada nesta quarta-feira (1º) afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou suspender o fornecimento de armas à Ucrânia caso aliados europeus da Otan se recusassem a apoiar esforços americanos para reabrir o Estreito de Ormuz.
Segundo três autoridades ocidentais ouvidas pelo veículo, Trump exigiu que marinhas de países da aliança participassem de uma operação para restabelecer o tráfego na passagem marítima, quase totalmente bloqueada pelo Irã desde o início da guerra travada por EUA e Israel contra Teerã. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta cruzavam o estreito.
De acordo com as fontes, a proposta foi rejeitada pelos europeus, que consideraram a missão inviável em meio aos combates e alegaram que “essa guerra não é nossa”. Diante da negativa, Trump teria respondido que interromperia um programa pelo qual nações da Otan financiam a compra de armamentos norte-americanos destinados a Kiev no conflito contra a Rússia.
Pressão resultou em declaração conjunta
A ameaça, relatam os interlocutores, levou França, Alemanha, Reino Unido e outros países a divulgarem, em 19 de março, um comunicado expressando disposição em “contribuir com esforços apropriados” para garantir a navegação segura em Ormuz. Fontes do Financial Times atribuem a articulação à interferência do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que teria insistido pela nota após conversar por telefone com líderes europeus.
Apesar do texto, nenhuma ação militar foi adotada até agora. A secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper, deve comandar nesta quinta-feira (2) uma reunião virtual com representantes de 35 países para discutir eventuais medidas de abertura do estreito, condicionadas a um cessar-fogo.
Casa Branca evita confirmação
Procurada pelo jornal, a vice-secretária de imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, não confirmou se Trump realmente ameaçou cortar o envio de armas à Ucrânia. Ela afirmou apenas que o presidente “expressou decepção com a Otan e outros aliados” e ressaltou que “os Estados Unidos se lembrarão” da posição europeia.
Com informações de Gazeta do Povo