Jerusalém – Um tribunal de Israel decidiu, neste domingo (3), prorrogar a detenção do brasileiro Thiago Ávila, 39 anos, e do espanhol-palestino Saif Abukeshek. Ambos foram presos na última quinta-feira (30) em águas internacionais enquanto participavam de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza.
Reincidência em tentativas de chegar a Gaza
Esta é a terceira vez em menos de um ano que Ávila é detido ao tentar entrar no enclave palestino. Em junho de 2025, ele foi interceptado pela Marinha israelense a bordo da embarcação Madleen, que tinha entre os passageiros a ativista sueca Greta Thunberg. Três dias depois, foi deportado para o Brasil.
Em outubro do mesmo ano, nova interceptação ocorreu durante a missão da Flotilha Global Sumud. O barco levava 14 brasileiros, entre eles a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE). À época, o militante fez greve de sede antes de ser novamente enviado ao país de origem.
Trajetória política e viagens
Natural de Brasília, Thiago Ávila concorreu a deputado federal pelo PSOL em 2018 e 2022, mas não se elegeu. Declarado socialista e revolucionário, já visitou Cuba, Turquia e Irã e, em fevereiro de 2025, viajou a Beirute (Líbano) para o funeral de Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah. Em 2021, foi preso no Distrito Federal por tentar impedir a desocupação de uma área invadida.
Reação internacional
Após a decisão judicial, a Flotilha Global Sumud solicitou que os governos de Brasil e Espanha intervenham “imediatamente” pela libertação de seus cidadãos. Na sexta-feira (1º), os dois países divulgaram nota conjunta classificando a detenção como “sequestro em águas internacionais”.
Os Estados Unidos, por sua vez, qualificaram a flotilha como “pró-Hamas” e avisaram que podem aplicar sanções a indivíduos ou organizações que apoiem a iniciativa, incentivando nações aliadas a tomarem medidas legais semelhantes.
Até o momento, não há previsão de quando o tribunal israelense voltará a analisar a situação dos dois ativistas.
Com informações de Gazeta do Povo