Washington, 29 abr. 2026 – A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou nesta quarta-feira (29) o novo mapa eleitoral da Louisiana ao concluir que ele se baseia “excessivamente em critérios raciais”. A maioria do tribunal afirmou que a Lei de Direitos Eleitorais (Voting Rights Act) não obriga o estado a criar um segundo distrito de maioria negra e, portanto, não há “interesse imperioso” que justifique o uso da raça na demarcação.
A decisão representa mais uma vitória para o presidente Donald Trump e para o Partido Republicano a poucos meses das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. Especialistas calculam que a medida pode ampliar a bancada republicana na Câmara dos Representantes em até 20 cadeiras.
O caso teve origem no mapa elaborado após o censo de 2020, que concentrava a maior parte dos eleitores negros em um único distrito. Contestada na Justiça, a divisão chegou a ser redesenhada com dois distritos de maioria negra por ordem de instâncias inferiores, mas o Supremo reverteu essa alteração.
“Distinções entre cidadãos baseadas unicamente na ascendência são, por sua própria natureza, odiosas para um povo livre cujas instituições são fundadas na doutrina da igualdade”, escreveu o tribunal em sua decisão.
Desde que reassumiu a Casa Branca em janeiro de 2025, Trump vem incentivando estados governados por republicanos a adiantarem o processo de redistribuição distrital — tradicionalmente realizado a cada dez anos — com o objetivo de manter a maioria no Congresso. O movimento começou no Texas em 2025 e foi seguido por outros estados. Governos democratas, como o da Califórnia, responderam com iniciativas semelhantes.
Com toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado em disputa neste ano, a definição dos mapas eleitorais passou a ser um dos principais pontos de conflito político e jurídico nos Estados Unidos.
Com informações de Gazeta do Povo