Nova York – O empresário Jerry Greenfield comunicou nesta quarta-feira, 17 de setembro, que está deixando a Ben & Jerry’s depois de 47 anos. O anúncio ocorre em meio a atritos com a controladora Unilever, acusada por ele de restringir manifestações políticas da marca, inclusive a respeito da guerra entre Israel e o grupo Hamas na Faixa de Gaza.
A decisão foi divulgada em carta tornada pública por Ben Cohen, cofundador e parceiro de longa data de Greenfield. No texto, Greenfield descreveu a saída como “uma das escolhas mais difíceis e dolorosas” de sua carreira e lembrou que, no ato da venda da sorveteria para a Unilever, em 2000, teria recebido garantia de autonomia para defender os valores da empresa.
“Não posso permanecer em uma companhia que perdeu a liberdade de atuar de acordo com seus princípios”, afirmou o empresário, que também aproveitou a carta para criticar o governo do presidente Donald Trump, acusando a administração de enfraquecer direitos civis, de voto, de imigrantes, de mulheres e da comunidade LGBTQ.
Conflito se arrasta desde 2021
Segundo veículos de imprensa dos Estados Unidos, o desentendimento entre a Unilever e a Ben & Jerry’s ganhou força em 2021, quando a marca revelou que deixaria de vender sorvetes em assentamentos israelenses na Cisjordânia. A medida gerou reação imediata; a Unilever repassou a operação israelense a um distribuidor local, que continuou a comercializar os produtos em todo o país.
Fundada em 1978, na pequena cidade de Burlington, Vermont, a Ben & Jerry’s construiu reputação por vincular novos sabores a causas sociais e políticas associadas à esquerda norte-americana. Em 2024, Greenfield e Cohen realizaram uma turnê de mobilização eleitoral em apoio à vice-presidente Kamala Harris e a candidatos do Partido Democrata.
Com a saída de Greenfield, ainda não há definição sobre qualquer mudança na gestão da marca de sorvetes ou em seu conselho independente, criado justamente para salvaguardar o engajamento social da empresa.
Com informações de Gazeta do Povo