Portugal vai às urnas neste domingo, 18 de janeiro de 2026, para escolher o novo presidente em uma disputa marcada pela ascensão de forças conservadoras e pela maior fragmentação política em quatro décadas.
No topo das pesquisas aparece André Ventura, líder do partido de direita Chega, com 24% das intenções de voto. Logo atrás está o socialista José Seguro, do Partido Socialista (PS), com 23%. Como o pleito reúne 11 candidatos, analistas consideram quase impossível uma vitória já no primeiro turno, o que abriria caminho para um inédito segundo turno presidencial no país.
Estratégia de “voto útil”
Para conter o avanço conservador, Seguro incentiva o chamado voto útil. Ele se apresenta como “o único democrata que defende o Estado social, a saúde e a escola públicas” capaz de chegar à próxima fase da eleição.
Outros nomes bem colocados têm perfil de centro ou centro-direita: João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal (19%); Luís Marques Mendes, apoiado pelo Partido Social Democrata (PSD) (14%); e o independente Henrique Gouveia e Melo (14%). Nenhum, porém, adota o discurso de ruptura de Ventura, que transformou a disputa em um referendo sobre temas como identidade nacional, imigração, doutrinação ideológica e soberania.
Crescimento rápido do Chega
Fundado em 2019, o Chega saiu de um único deputado para uma bancada de 60 parlamentares nas eleições legislativas de maio de 2025, tornando-se a segunda maior força no Parlamento, atrás apenas do PSD. O partido rejeita o rótulo de ultradireita e prefere ser chamado de “direita autêntica”, destacando a defesa de valores nacionais e a crítica às elites tradicionais.
Ventura, que usa o lema “Salvar Portugal”, também explora a pauta da segurança pública. “Se você cometer um crime aqui, vai para a prisão por vários anos ou até décadas. Assim que cumprir a pena, não ficará nem mais um segundo neste país”, declarou em recente comício.
Poder simbólico, peso político
Embora o presidente português exerça funções majoritariamente simbólicas, atuando como árbitro institucional, especialistas afirmam que o resultado deste domingo pode representar um ponto de virada na política nacional e consolidar o avanço da direita no país.
Com informações de Gazeta do Povo